sexta-feira, 7 de março de 2014

Gastroenterite


Como já contei para vocês, a Princesa (11 meses) passou por um perrengue em fevereiro. Tudo por causa de uma gastroenterite que, segundo os médicos que ela passou, era viral.
A Gastroenterite é uma doença que pode ser causada por vírus, bactérias, verminoses e até mesmo por toxinas ou substâncias estranhas. Geralmente, a pessoa pode apresentar vômitos, diarreia, dores abdominais ou febre. Ou pode apresentar um dos sintomas ou tudo junto. Ou pode ser um episódio ou vários episódios. Pode ser num curto espaço de tempo ou pode ser muitos episódios em um curto espaço de tempo. Às vezes a pessoa pode apresentar todos esses sintomas e não necessariamente estar com uma gastroenterite. Pode estar com uma dengue por exemplo.
Quando eu trabalhava na Vigilância Epidemiológica do meu município, sempre que tínhamos muitos casos de diarreia/vômito numa região, nós, os agentes de saúde, éramos acionados para procurar um motivo para esse ‘surto’ e tentar cortar a contaminação. Então, uma coisa interessante de uma gastroenterite é que quando uma pessoa começa... pode-se esperar que as pessoas ao redor talvez iniciem os sintomas num período próximo.  A não ser que seja uma gastroenterite bacteriana (quando é dado antibiótico), a única forma de tratamento é cuidado com os sintomas e evitar a desidratação.
Estou falando tudo isso porque nessa gastroenterite da Princesa eu aprendi muito e percebi o quanto o sistema de saúde é tão focado em amenizar sintomas do que cura ou prevenção.
Na primeira vez que fomos ao pronto socorro (PS) a única coisa que a médica fez foi passar o soro e remédio intravenoso e dizer: “Ah, é uma gastroenterite viral, tá cheio disso aqui. Vou só passar isso e isso e você vai pra casa”. Não houve recomendação, nem alerta, nem nada... Fiquei a noite inteira seguindo recomendações da equipe de enfermagem (muito atenciosa por sinal) informando que a Princesa ficaria no soro até que fizesse xixi (o que só foi acontecer às 7h da manhã). E, quando tive alta, a médica não veio conversar comigo, deu alta para a pequena mesmo ela apresentando diarreia.
Não tivemos orientação quanto a sinais de desidratação (tive que pesquisar em casa), nem de caso de risco, nem em que situações deveríamos retornar e nem mesmo de cuidados básicos... nenhuma orientação.
Fiquei com saudades dos tempos de vigilância. Em que situações de aumento de casos desses, íamos nas casas, orientávamos sobre os riscos, sobre sinais de desidratação. Era feita uma busca sobre a origem da contaminação. Era feita pesquisa de qual era o agente etiológico (mesmo que por amostragem). Era acionado a vigilância sanitária...
Quando voltamos novamente ao PS por causa da diarreia, tivemos um pouco mais de orientação quanto aos sinais de desidratação, mas nenhuma investigação, nada de nada. Então, com a orientação de amigas virtuais, fomos em busca de um diagnóstico mais realista. Foi então que achamos uma pediatra que foi um pouco mais atenciosa e medicou específico para a virose dela (nem todo vírus tem medicação específica! Geralmente tem que esperar mesmo passar os sintomas e cuidar da desidratação!). E, assim que entrou com a medicação específica, os sintomas começaram a amenizar.
Logo depois, a Princesa começou a tossir e fomos a outro pediatra (acho que passamos por 4 pediatras diferentes nesses 10 dias), que falou que era virose e a recomendação foi de antibiótico. Antibiótico para virose??? Até comprei o antibiótico, mas depois de estudar a bula, os sintomas da Princesa, resolvi não dar...
Toda essa situação me deu uma angústia muito grande, não só pela doença da Princesa, mas também por causa de tantas dúvidas, tanta falta de orientação, orientações contraditórias... Tive saudades dos tempos em que podíamos ouvir o médico e dizer que ele estava 100% certo... Infelizmente, vivemos uma época que temos que ir além do conhecimento do dia-a-dia, temos que estudar para definir se aceitamos ou não o tratamento receitado... Isso cansa, viu?

Bem dizia o Pregador...
Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza.
Eclesiastes 1:18