quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Criança agride estagiária em CMEI

"Eu só estava o protegendo quando ele me mordeu", diz a estagiária.

Essa poderia ter sido a manchete do jornal da minha cidade há um mês atrás se os envolvidos nessa situação não estivessem comprometidos com a real inclusão. Eu nem ia relatar o fato,  mas o que aconteceu há duas semanas na cidade de Belo Horizonte de acordo com essa noticia (Clicar aqui) me fez mudar de ideia. 

Era uma segunda-feira e fui buscar a duplinha na escola. Primeiro peguei a Princesa (1 ano 5 meses) e depois fui buscar o Garotão  - 5 anos 3 meses - (meu esposo estava trabalhando). Ao chegar na sala,  tanto a professora como a estagiária queriam conversar.  Então relataram que após a aula de educação física,  o Garotão mordeu a estagiária. A estagiária entrou em detalhes.  Segundo ela, o pátio estava mais cheio que o normal. Na hora de entrar, uma criança "trombou" com ele. O Garotão tentou se bater e ela tentou segurá-lo. Foi aí que ele a mordeu.  Ela então me disse que achava que a reação dele foi por causa do pátio cheio, da trombada e por ela ser nova. Foi então que conversei com ela, com a professora e ensinei a forma de contê-lo sem que ninguém se machucasse. À tarde,  levei o Garotão na psicóloga que também conversou com ele.

Num debate em um programa de televisão sobre o caso divulgado pela mídia,  uma pergunta me chamou a atenção: " se o professor apanha de uma criança,  só porque ela é autista, esse professor tem que sorrir?"

A minha resposta é: o professor pode escolher sorrir,  mas antes disso,  posso dar algumas dicas baseada na forma excelente como a estagiária que cuida do Garotão se saiu:
- Conheça o transtorno/deficiência com a qual está trabalhando.  Ninguém é obrigado a saber tudo.  Mas, no momento em que a situação se apresenta, nós temos condições de buscar o conhecimento.
- Tenha um bom relacionamento com a família.  Se abra para ouvir a família, experiências,  dúvidas,  críticas e sugestões.  Se você os escuta, a família também vai escutar e te compreender.  E jogará no mesmo time que você.
- Conheça bem o seu aluno. Faça padrões de rotina e relacione à suas reações.  Pode ajudar a evitar o extremo,  como a agressão.
- Procure entender o que está acontecendo:  isso diminui o reflexo de reagir contra a criança e aumenta a empatia.
- E, não se abstenha. Sabemos que a inclusão proposta pelo Estado não é a ideal, mas a família e, principalmente a criança,  não são culpados disso.  Lute junto.  Abrace a causa... mas não despeje suas frustrações sobre a criança.
Não seja a manchete ruim. Seja a melhor marca na vida dessas famílias,  que irão sempre lembrar de você com muita saudade e lágrimas nos olhos por terem sido amados

"Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos.1 Tessalonicenses 5:15