domingo, 18 de outubro de 2015

Sofrimento além do limite

Essa semana eu vi um texto na Internet que me trouxe uma grande liberdade ( Leia Aqui  )
O texto traz várias frases que são ditas como "bíblicas" que na verdade não estão na Bíblia.  E a frase que me libertou foi: sim, Deus permite sofrimento além das nossas forças,  e até Paulo disse que se desesperou da vida por causa da opressão acima das suas forças(Cuma? Paulo se desesperou da vida? Pois é. ..)...
O pior é que,  quando uma mãe de uma criança com necessidades específicas desabafa e conta das suas lutas,  a frase mais repetida é: "calma, mãezinha! Deus não dá nada além do que podemos suportar." Quando eu ouço (ou leio) isso, primeiro,  minha vontade é chocoalhar a pessoa até ela pedir desculpas e retirar o que disse. Porque a minha sensação é de impotência e incompetência. Se Deus não me dá nada além do que posso suportar,  porque cargas d'água eu não estou aguentando nem mais um dia? A sensação de impotência entre nós,  mães "especiais" chega a um nível tão desesperador que chega-se até querer de desejar a morte do filho e dela mesma (se assustou? Bem vindo à realidade! )
Então,  meu recado pra você,  ao ouvir um desabafo de uma mãe "especial": ela está sim lidando com um sofrimento acima dos seus limites.  Não,  o filho não é sofrimento,  mas a rotina de terapias, falta de dormir, cansaço físico, preconceito,  falta de um tempo pra si mesma,  medo do futuro é nível master de sofrimento. Então,  seja a pessoa que carregue o fardo junto. Ore junto,  escute o coração sobrecarregado (gente,  isso é o melhor remédio que conheço! ) e ofereça soluções - e não sugestões (em outro post eu conto a diferença).  Divida conosco o fardo. Seja o Milagre que Deus quer ser em nossa vida.
E, pra nós,  mães,  quando as forças nos fugirem, não tenham vergonha de dizer que não estão aguentando.  Desabafem...  precisamos nos lembrar que estamos vivendo o sobrenatural.  Não sei como aguentamos até hoje.  Sei que hoje tive um anjo que me ouviu.  Amanhã sei que o Senhor me presenteará com outro milagre.  Só o fato de ainda estar viva e não ter sucumbido às lutas é um milagre. E estarei orando pra que você também veja o sobrenatural de Deus em sua vida.

2 Coríntios: 1. 3-11
"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco, assim também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.
Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; ou, se somos consolados, para vossa consolação é a qual se opera suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos; e a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação. Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos; portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará, ajudando-nos também vós com orações por nós, para que, pela mercê que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito."
Bíblia JFA Offline

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Parabéns, Querido Professor!


"Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,
Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
Pela vossa cooperação no crescimento do Garotão desde o primeiro dia até agora.
Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;
Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas nossas lutas como nas nossas vitórias.
Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.
E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento."
Paráfrase Filipenses 1:3-9

Hoje comemoramos o Dia do Professor. E eu queria fazer uma homenagem a todas as professoras que curtiram e aprenderam com o meu Garotão. Esse ano ele encerra o seu primeiro ciclo na escola, o ensino infantil. No ano seguinte, estará iniciando o ensino fundamental, já lendo, escrevendo, graças a Deus pelos anjos que proporcionaram todo esse crescimento pra gente.
Primeiro, Tia Tânia e Tia Adelma... que foram as primeiras a conviverem com o Garotão. Nos ajudaram na sua primeira adaptação na escola, e nos ajudaram muito no diagnóstico: reuniões, relatórios, vídeos... ufa, foi muito trabalho! Vocês estiveram ao nosso lado, nos apoiaram nessa fase tão difícil, de adaptação e diagnóstico.
Depois, a Tia Adelma continuou com o Garotão e veio a Tia Tatiana e a Tia Rose. Foram apresentadas a um novo desafio, e essas mulheres incríveis presenciaram a primeira vez que o Garotão falou em sala de aula (Contei aqui ). Foram parceiras, amigas, presentes... Fantásticas. Paralelamente, tia Sirlene, no contra-turno, dando todo o apoio necessário para o desenvolvimento do Garotão.
Ano seguinte, veio a Tia Kátia, Tia Narjara e a Tia Rose, seguiu com o Garotão e elas presenciaram mais um salto espetacular: um Garotão que nem ao menos gostava de pegar um lápis, resolveu escrever, copiar uma palavrinha (Conteiaqui
 ). E, no contra-turno, Garotão contava com duas professoras: Tia Luzia e Tia Andreia.
Depois veio a mudança de turno e dois novos anjos surgiram em nossa vida: Tia Hociene e a “outra” Tia Rose, nossa resposta de oração (Contei aqui ). Como não se emocionar ao relembrar o empenho em ajudar e presenciar o milagre do início da leitura?  (Contei aqui). E, no trabalho do contra-turno, tínhamos a Tia Márcia...
E, esse ano, encerrando todo o ciclo do ensino infantil, Tia Eliana, Tia Val, Tia Lu... Cada dia mais próximas, estimulando o Garotão, agora na elaboração e interpretação de textos, no desenvolvimento da escrita, lidando com números e contas... E a Tia Sirleide intensamente no contra-turno.
A todas vocês, meu muito obrigada! Meu reconhecimento pelo trabalho diário, pela pesquisa interminável, pelas lágrimas de choro e de alegria... Sei que não é fácil, mas vocês são presentes de Deus na vida do Garotão.
Queria poder abraçar a todas vocês todos os anos nesse dia especial, então, eu deixo esse abraço virtual pra vocês!
Parabéns pelo dia dos professores!


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Menino Invisível


Era uma vez um Garoto que gostava muito de brincar no parquinho do condomínio. Ele tinha seis anos e curtia correr, brincar de areia e pular no trepa-trepa. Mas sempre brincava sozinho. Algumas vezes, conseguia brincar com a mãe e com a irmã.
No Dia das Crianças, a mãe levou ele e a irmã pra brincar no parquinho que ele tanto gostava e levou os baldinhos de praia para eles brincarem na areia. O parquinho estava cheio de crianças. A irmã logo encontrou umas amiguinhas e brincou com elas. O menino, correu, sozinho, do jeito que gostava, até cansar e depois se sentou para brincar com os baldinhos de areia.
Logo que ele se sentou, muitas crianças se aproximaram dos brinquedos e se dirigiram a mãe do menino: “posso brincar com os brinquedos?” A mãe sugeriu: “pergunte ao menino!” Afinal, o menino é capaz de ouvir e responder perguntas.
As crianças perguntaram e o menino respondeu: “não!”. Mas o menino era invisível. Não ouviram o seu não. Ele não estava ali para aquelas crianças. As crianças simplesmente pegaram os brinquedos e levaram para longe dele, onde pudessem brincar. Nem ao menos o convidaram. Simplesmente levaram longe.
E, novamente, o menino invisível ficou ali, sentado sozinho, sem que nenhuma criança se aproximasse novamente. Então, o menino invisível chamou sua mãe para ajuda-lo com o bolo que ele estava fazendo. E, a mãe foi lá, para brincar com ele. Foi por pouco tempo, porque logo o menino invisível voltou a correr, como ele gosta.
A mãe do menino invisível foi buscar os brinquedos para guardar. Chamou a atenção das crianças: “vocês pediram a ele se podiam trazer os brinquedos  pra cá?” “Vocês acham legal o que fizeram?” “Vocês gostariam que pegassem seus brinquedos mesmo vocês não querendo?” “Porque vocês não o chamaram pra brincar com vocês?”
As crianças não responderam. Eram todas da idade aproximada do menino invisível. A mãe recolheu o brinquedo e em seu coração torcia para que o Menino Invisível não tenha se sentido tão Invisível assim.
É, esse foi o Dia das Crianças do Garotão. O menino invisível.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Diagnóstico do Garotão


Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.
Deuteronômio 31:8
Quando fizemos o relato da avaliação neuropsicológica, eu reli todo o processo de diagnóstico do Garotão. E, fiquei surpresa quando descobri que eu ainda não relatei o diagnóstico dele propriamente dito! Não acredito que deixei passar esse detalhe! O mais incrível: nesse período que completamos quatro anos de diagnóstico, esses dias ainda são bem reais, como se tudo tivesse acontecido ontem.
No último post que contei a história do relato (leia aqui), eu falei de como foi entregar a Deus toda a dúvida e toda a expectativa e contei que a psicóloga que deu a palestra me deu altas dicas e contatos para a primeira consulta. Ele tinha 2 anos e 4 meses.
Assim que chegou a segunda feira, liguei para o telefone que ela me deu: era o núcleo de psicologia de uma universidade particular de minha cidade. Assim que fiz o contato, o atendente me recomendou que eu fosse ao local.
Cheguei lá, fui atendida por uma estudante de psicologia que me ajudou a preencher uma ficha, me orientando nos termos técnicos e nos relatos do comportamento do meu filho e o que isso significava naquela ficha.
E, aí, veio a série de milagres: consegui consulta com a neuropediatra da clínica da faculdade pra quinze dias! É ou não é milagre? Eu estava agendada há pelo menos dois meses para uma neuropediatra, ainda no aguardo e essa eu consegui em quinze dias!
Enquanto isso, fui reunindo o material sugerido pela palestrante: vídeos, relatórios e resultados de exames. Uma grande expectativa, uma enorme ansiedade. Minha irmã nos acompanhou na consulta. E, após ler a ficha que preenchi e olhar o Garotão, ela foi tranquila em falar se já tínhamos pensado e ouvido falar de autismo. E, nem acreditei: ao ouvir essa suspeita, senti calma, senti paz...
Senti paz por finalmente encontrar uma resposta, por estar certa, por ter entendido o meu filho, por não ter ignorado os sinais... E por saber que a partir desse momento, eu teria uma orientação profissional.
Mas, a neuropediatra não apenas falou sobre autismo, mas o encaminhou para uma avaliação neuropsicológica (que por um acaso, foi muito diferente da que ele fez recentemente – Leia aqui ). Foram três sessões em que ele ficou livre, em que brincamos em uma salinha (brincamos? Eu me lembro bem que eu tentava falar, chamar e eu não tinha nenhuma resposta!) e a neuropsicóloga e uma estudante de psicologia ficaram observando e anotando.

Finalmente, após as três sessões de avaliação, tivemos a sessão devolutiva. Tranquilamente recebemos o laudo confirmando o autismo. Ele foi avaliado pela escala CARS (childhood autismo rating) como autismo leve/moderado. À partir daí, com um laudo em mãos, com o CID de F 84.0, pudemos partir em busca do tratamento do Garotão.
E, quando Deus faz milagre, Ele faz completo: Garotão entrou num programa da própria universidade de tratamento, de terapias e avaliação, por dois anos. E gratuito (Leia Aqui )


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Desfralde da Princesa: Concluído com Sucesso


Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Eclesiastes 3:1


E a Princesa não usa mais fraldas! Nem pra dormir, nem pra sair... Princesa 100% desfraldada.
Foi um processo bem tranquilo. Ela sinalizou que estava na hora e nós acompanhamos o ritmo dela. Depois de algumas semanas acordando com a fraldinha seca, sugeri pra ela dormir de calcinha. E, ela aceitou o desafio.

Não precisamos mais de “estrelinhas” para recompensar cada acerto no piniquinho, ela já vai certinho (precisa de ser lembrada, afinal, brincar é muito divertido, certo?). Temos acidentes? Claro! Mas isso não desvalida o grande passo em direção ao crescimento. Em breve, não teremos mais bebê aqui em casa, e sim, nas palavras da Princesa, “uma menina grande”.
Parabéns, Princesa!!!