quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Diagnóstico do Garotão


Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.
Deuteronômio 31:8
Quando fizemos o relato da avaliação neuropsicológica, eu reli todo o processo de diagnóstico do Garotão. E, fiquei surpresa quando descobri que eu ainda não relatei o diagnóstico dele propriamente dito! Não acredito que deixei passar esse detalhe! O mais incrível: nesse período que completamos quatro anos de diagnóstico, esses dias ainda são bem reais, como se tudo tivesse acontecido ontem.
No último post que contei a história do relato (leia aqui), eu falei de como foi entregar a Deus toda a dúvida e toda a expectativa e contei que a psicóloga que deu a palestra me deu altas dicas e contatos para a primeira consulta. Ele tinha 2 anos e 4 meses.
Assim que chegou a segunda feira, liguei para o telefone que ela me deu: era o núcleo de psicologia de uma universidade particular de minha cidade. Assim que fiz o contato, o atendente me recomendou que eu fosse ao local.
Cheguei lá, fui atendida por uma estudante de psicologia que me ajudou a preencher uma ficha, me orientando nos termos técnicos e nos relatos do comportamento do meu filho e o que isso significava naquela ficha.
E, aí, veio a série de milagres: consegui consulta com a neuropediatra da clínica da faculdade pra quinze dias! É ou não é milagre? Eu estava agendada há pelo menos dois meses para uma neuropediatra, ainda no aguardo e essa eu consegui em quinze dias!
Enquanto isso, fui reunindo o material sugerido pela palestrante: vídeos, relatórios e resultados de exames. Uma grande expectativa, uma enorme ansiedade. Minha irmã nos acompanhou na consulta. E, após ler a ficha que preenchi e olhar o Garotão, ela foi tranquila em falar se já tínhamos pensado e ouvido falar de autismo. E, nem acreditei: ao ouvir essa suspeita, senti calma, senti paz...
Senti paz por finalmente encontrar uma resposta, por estar certa, por ter entendido o meu filho, por não ter ignorado os sinais... E por saber que a partir desse momento, eu teria uma orientação profissional.
Mas, a neuropediatra não apenas falou sobre autismo, mas o encaminhou para uma avaliação neuropsicológica (que por um acaso, foi muito diferente da que ele fez recentemente – Leia aqui ). Foram três sessões em que ele ficou livre, em que brincamos em uma salinha (brincamos? Eu me lembro bem que eu tentava falar, chamar e eu não tinha nenhuma resposta!) e a neuropsicóloga e uma estudante de psicologia ficaram observando e anotando.

Finalmente, após as três sessões de avaliação, tivemos a sessão devolutiva. Tranquilamente recebemos o laudo confirmando o autismo. Ele foi avaliado pela escala CARS (childhood autismo rating) como autismo leve/moderado. À partir daí, com um laudo em mãos, com o CID de F 84.0, pudemos partir em busca do tratamento do Garotão.
E, quando Deus faz milagre, Ele faz completo: Garotão entrou num programa da própria universidade de tratamento, de terapias e avaliação, por dois anos. E gratuito (Leia Aqui )