terça-feira, 27 de março de 2012

Hora de Comer


No dia 18 de março, fomos à palestra na AMAES. E, uma das coisas que a palestrante falou, foi sobre o desenvolvimento de alguns comportamentos em nossas crianças, chamados pivotais. Pelo que entendi, são comportamentos que são necessários que as crianças desenvolvam pra que possam ser capazes de realizar outras atividades (por exemplo, fixar atenção, ficar sentado, entre outros). Ela citou o exemplo de uma criança que não consegue ficar sentada nem para comer.

Aí, eu e meu marido percebemos que não estávamos ajudando muito o nosso filho nessa área. Ele come um pouco, e sai correndo. Aí, corre, volta, come uma colher, corre, volta, come uma colher... assim por meia hora.

Então, definimos que faríamos o seguinte: ele comeria sentado, na cadeira. E, se ele saísse, nós guardaríamos o prato e só voltaríamos com o prato se ele se sentasse na cadeira.
No primeiro dia, ele comeu só a metade do prato. Guardamos. Com o tempo, ele foi aumentando a quantidade que ele ia comendo. Inclusive na casa dos meus pais, ele só iria comer se estivesse sentado à mesa.

Estávamos felizes com as vitórias conseguidas, pois com o tempo, as quantidades iam aumentando, aumentando... até ontem.

Ontem meu filho se recusou a se assentar à mesa. Não queria de jeito nenhum. E foi meia hora de choro, choro, choro, e crise de birra auto-destrutiva... E, o pior, eu já estava com uma dor de cabeça danada...

Mas, hoje no almoço, tive uma surpresa. Chamei o meu filho para se assentar a mesa, ele veio e comeu todo o prato que eu tinha feito, e sentadinho! Fiquei super orgulhosa do meu garotão!!!

Estaremos trabalhando outras funções pivotais, mas por enquanto, estaremos firmando a questão de ficar sentado para comer! Assim, ele estará aprendendo que tem tempo para tudo, mesmo que seja o tempo de parar, assentar e comer, e 
depois, tempo de correr, brincar e se divertir!


Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. 
Eclesiastes 3:1-8

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mais do que terapeutas...


No último domingo, meu marido e eu fomos ao curso promovido pela AMAES (Associação dos Amigos dos Autistas do ES), com a professora Ms. Maria Elisa Granchi Fonseca para pais. Aprendemos muitas e muitas coisas, mas uma das coisas que ela disse que mais me marcou, foi quando ela disse que nós pais não somos terapeutas, somos pais.
Não, ela não queria nos colocar como ‘apenas pais’. Na verdade, me senti mais que terapeuta... sou mãe!
Fiquei pensando em quanto fico envolvida em ler, buscar conhecimento, cuidar do meu filho para que ele sinta o melhor, para que ele aprenda, eu esqueço, que muito mais que terapeuta, eu sou mãe.
O que eu devo fazer, além de ajudá-lo a crescer no seu desenvolvimento em relação ao autismo, é brincar, é sair, me divertir, é amá-lo! Ir à praia, ir ao shopping, ir ao parque, ir à piscina, comer coisas gostosas, passear, nos divertir ao máximo, e fazê-los muito feliz. É aproveitar os momentos da vida dele, da nossa vida de pais... Curtir o desenvolvimento dele sem ficar comparando com outras crianças, sem ficar estabelecendo relações com tratamentos assim ou assado.
Ser mãe/pai não nos isenta das responsabilidades em relação ao tratamento do nosso filho. Nós devemos é acompanhar, observar e dar o nosso julgamento em relação às terapias que nosso filho faz, se está ou não funcionando. Devemos conhecer as possibilidades e as oportunidades. Ser pai/mãe é ser mais que terapeuta. É uma grande responsabilidade. Somos nós que acompanhamos tudo em casa, e muitas vezes, somos nós que fomos os responsáveis pelo diagnóstico, quando não acreditamos quando nos diziam que era pra ficar tranquilo...
E, principalmente, devemos ser pais... Ah, como é bom ser uma mamãe especial!

Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive.
Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus.
Sei que tudo o que Deus faz permanecerá para sempre; a isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus assim faz para que os homens o temam. 
Eclesiastes 3:12-14 (NVI)

terça-feira, 20 de março de 2012

O Dom do meu filho


Ontem eu recebi um telefonema de uma grande amiga e ela resolveu um grande dilema meu.
Muitas vezes tenho dificuldades em me referir ao meu filho. Tudo bem, ele é autista. Mas, ele é uma criança especial? Tem necessidades especiais? Tem alguma dificuldade?
É muito difícil pra mim, definir exatamente qual o problema (?) do meu filho, mas nesse telefonema, minha amiga disse: “E aí, como está o seu filho? E o dom dele?” Puxa! Eu nunca tinha pensado nisso!
Sim, o meu filho tem um dom especial. Não, não estou dizendo de coisas sobrenaturais. Estou dizendo que o meu filho é um grande presente, com um presente especial.
E, acho que quando tiver que falar algo para alguém, eu vou dizer: meu filho tem um dom especial.
Obrigada, minha grande amiga!
Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão. 
Salmos 127:3

segunda-feira, 12 de março de 2012

Quando as coisas acontecem com a gente...


Um dia desses aconteceu algo que me fez pensar muito. Devido à dificuldade em se comunicar com o mundo, quando meu filho tem alguma decepção ele tem crises de birra autodestrutivas. Geralmente, ele se bate, bate a cabeça em algo que ele encontra (às vezes é a gente mesmo), se bate e bate na gente.
Então, dia desses, estávamos no parquinho do condomínio e meu filho pediu água. Olhei na mochila dele pra pegar o copinho e não tinha. Claro, meu filho ficou extremamente decepcionado e começou a crise. Eu e meu marido pegamos acalmamos o nosso filho e subimos pra casa. No parquinho tinha algumas mães com seus pimpolhos também brincando e elas falando para o meu filho parar de chorar. Pedi licença e saí, enquanto sentia os olhares delas nas minhas costas.
Eu não quis pensar, mas isso me martelava a cabeça. Imaginei todos os tipos de diálogos que se travaram ali, após a nossa saída. Senti que me condenaram, mesmo sem saber o que se falava.
Fiquei com isso na cabeça o resto da semana. No sábado, conversei com uma amiga e desabafei. E, descobri porque me senti condenada. Porque muitas e muitas vezes, ao ver pais e filhos na mesma situação que eu estava, em meu coração eu já falei muito mal desses pais. Desde que não sabiam cuidar, ou que eram permissivos, enfim, já disse muitas e muitas coisas.
Lembrei-me então de um texto que eu li, há um tempo atrás, que um casal ao receber uma visita, os filhos aprontaram muito. Então, os pais disseram: “não digam e não pensem nada até que tenham os seus próprios filhos”.
Exatamente isso! Falei tanto, critiquei tanto, e hoje, me vejo na mesma situação. Agora, estou aprendendo a olhar para os outros com mais compaixão, mais empatia, me colocando no lugar de cada um.
Hoje eu tive a confirmação que realmente a ‘turma do parquinho’ pode ter falado mal. Tinha uma criança que a cada reprimenda da mãe, reagia de forma muito feroz. E, o que eu ouvi no grupo: “se não corrige desde bebezinho, maior, leva na cara.” Espero que elas nunca tenham que passar pelo que nós estamos passando...


Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. 
Mateus 7:1-5

segunda-feira, 5 de março de 2012

Novidades e Novidades


Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito? 
Salmos 116:12
Estamos acabando de presenciar uma grande novidade: nosso garotão, de 2 anos e 8 meses está contando de 1 a 10 nos dedos! É impressionante!
Nós nunca paramos para ensinar, mas sempre contamos junto com ele, sem forçar ou cobrar nada... E, hoje, nosso garotão apareceu fazendo isso pela primeira vez. É a coisa mais linda de se ver... ele vai levantando os dedinhos e dizendo do jeitinho dele ‘um, dos, teis, caco...’ é tão lindo... Ficamos pensando como é que ele aprendeu. Será as aulinhas na escola? As aulas da escolinha especial? Seja lá onde for, é interessante como ele guarda tudo nessa cabecinha linda e depois, demonstra o aprendizado dele.
E, estamos indo bem na escola. Ele ainda chora ao entrar, mas se sente protegido quando a professora ou a apoio o pega do nosso colo. No apoio da escolinha especial, ele ficou bem hoje. Chorou no início, mas ficou bem quase que o tempo inteiro. No finalzinho ficamos de ‘butuca’ ouvindo e do jeito que a professora falava, ficávamos impressionados, porque parecia que ele estava prestando atenção em tudo. Pelo que ouvimos, ela estava ensinando a ele como reconhecer as letras.
E, na fonoterapia, ele também ficou bem. Não chorou para entrar na sala e brincou. A fono disse que ele não falou nada, só cantou um pouquinho, mas tudo bem. Logo ele se solta.
São muitas e muitas vitórias. Além de tudo isso, ele ainda disse ‘vovô’ e ‘vovó’ para os avós paternos. Isso é muito lindo. E, já chega na casa deles pedindo o colo do avô.
Meu filho está ampliando o círculo de relacionamento dele, círculo de pessoas a quem ele demonstra amor. Isso é prova do cuidado de Deus para conosco, afinal, é muita vitória!
Sempre que temos um passo dele ou que ele confirma cada passo, paramos para agradecer a Deus tudo isso. O Senhor tem sido, e sempre será Maravilhoso!
Mais uma vez, Obrigada, Senhor!