segunda-feira, 12 de março de 2012

Quando as coisas acontecem com a gente...


Um dia desses aconteceu algo que me fez pensar muito. Devido à dificuldade em se comunicar com o mundo, quando meu filho tem alguma decepção ele tem crises de birra autodestrutivas. Geralmente, ele se bate, bate a cabeça em algo que ele encontra (às vezes é a gente mesmo), se bate e bate na gente.
Então, dia desses, estávamos no parquinho do condomínio e meu filho pediu água. Olhei na mochila dele pra pegar o copinho e não tinha. Claro, meu filho ficou extremamente decepcionado e começou a crise. Eu e meu marido pegamos acalmamos o nosso filho e subimos pra casa. No parquinho tinha algumas mães com seus pimpolhos também brincando e elas falando para o meu filho parar de chorar. Pedi licença e saí, enquanto sentia os olhares delas nas minhas costas.
Eu não quis pensar, mas isso me martelava a cabeça. Imaginei todos os tipos de diálogos que se travaram ali, após a nossa saída. Senti que me condenaram, mesmo sem saber o que se falava.
Fiquei com isso na cabeça o resto da semana. No sábado, conversei com uma amiga e desabafei. E, descobri porque me senti condenada. Porque muitas e muitas vezes, ao ver pais e filhos na mesma situação que eu estava, em meu coração eu já falei muito mal desses pais. Desde que não sabiam cuidar, ou que eram permissivos, enfim, já disse muitas e muitas coisas.
Lembrei-me então de um texto que eu li, há um tempo atrás, que um casal ao receber uma visita, os filhos aprontaram muito. Então, os pais disseram: “não digam e não pensem nada até que tenham os seus próprios filhos”.
Exatamente isso! Falei tanto, critiquei tanto, e hoje, me vejo na mesma situação. Agora, estou aprendendo a olhar para os outros com mais compaixão, mais empatia, me colocando no lugar de cada um.
Hoje eu tive a confirmação que realmente a ‘turma do parquinho’ pode ter falado mal. Tinha uma criança que a cada reprimenda da mãe, reagia de forma muito feroz. E, o que eu ouvi no grupo: “se não corrige desde bebezinho, maior, leva na cara.” Espero que elas nunca tenham que passar pelo que nós estamos passando...


Não julgueis, para que não sejais julgados.
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.
E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?
Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. 
Mateus 7:1-5