sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quando a Suspeita de Autismo apareceu


Bom, até conseguir terminar toda a história do diagnóstico vou ficar interrompendo os relatos de casos diários com uma busca histórica...  No último post sobre essa busca do diagnóstico (clique aqui para ler), eu contei sobre a entrevista com a fonoaudióloga.
Ficamos desde essa consulta em julho até setembro sem qualquer atenção profissional. Assistíamos a falta de comunicação do nosso filho, o aumento das crises de birra, enfim, víamos tudo, não sabíamos o que fazer. Até esse momento, achávamos que tudo era culpa das viagens do meu marido, mas esse é o trabalho dele. Eu pensava que precisávamos de uma indicação de um psicólogo pra nos ajudar com o nosso filho.

Em várias comunidades, grupos, eu compartilhava a minha ansiedade sobre a fala do meu filho. Todas as pessoas com quem eu conversava me diziam que esse era o tempo dele e que minha ansiedade estava atrapalhando.

Até que um dia, em uma comunidade do Orkut (Pediatria Radical), apareceu logo no início um tópico chamado “Mãe de Criança do Espectro Autista”. A última vez que eu tinha lido algo sobre o autismo eu tinha 8 anos de idade (muito tempo atrás...). Li boa parte do tópico e identifiquei as características do meu filho logo no início. Foi aí que comecei a ficar com medo. Segui lendo o tópico, que era enorme. Foi quando disseram que o autismo é caracterizado pela tríade: falha na comunicação, dificuldade de socialização e rotina (movimentos repetitivos). Eu pensei: ” ah, meu filho não tem nenhum problema desses não... afinal, ele se relaciona bem comigo e com o pai, com os avós, não tem as estereotipias... Ah, meu filho é normal.” O tópico tem vários vídeos que eu não tive paciência para ver na primeira vez.

Até que um dia, tomei coragem e parei para ver os vídeos postados no tópico. Eles comparavam o comportamento de uma criança neurotípica com uma criança autista. Quando eu vi aqueles vídeos com carinho, em todos eles eu vi o meu filho. Eu estava sozinha em casa (meu marido estava trabalhando) e eu caí no choro. Meu filho, autista? Como? Mas o meu filho tinha boa socialização com a família, não era possível algo assim. Chorei, chorei muito. Mas eu não sabia o que falar, com quem falar. Estávamos sem pediatra, sem médico e só tínhamos médico marcado para daí a dois meses. E, eu iria falar o quê? Que eu achava que meu filho era autista porque tinha visto na internet? Eu não tinha a menor ideia do que fazer.

Meu marido chegou e viu os vídeos também. Ele também reconheceu o meu filho nos vídeos ali postados. Mas eu precisava confirmar a questão da socialização.
Passei então a jogar no dr. Google os sintomas do meu filho: atraso na fala e birras autodestrutivas. Só aparecia site sobre autismo. Não era possível.

Conversei com a professora do meu filho na escola e ela confirmou: ele pouco se envolve com os coleguinhas da escola, mas ela não achava assim tão diferente. Foi então que a minha cabeça confirmou a suspeita. Só que eu não sabia o que fazer.

Com a minha voz clamo ao Senhor; com a minha voz ao Senhor suplico.
Derramo perante ele a minha queixa; diante dele exponho a minha tribulação.
Quando dentro de mim esmorece o meu espírito, então tu conheces a minha vereda; no caminho em que eu ando ocultaram-me um laço.
Olha para a minha mão direita, e vê, pois não há quem me conheça; refúgio me faltou; ninguém se interessa por mim.
A ti, ó Senhor, clamei; eu disse: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.
Atende ao meu clamor, porque estou muito abatido; livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu.
Tira-me da prisão, para que eu louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me farás muito bem. 
Salmos 142:1-7