domingo, 3 de junho de 2012

Quando chega a hora de Deus



Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. 
Eclesiastes 3:1
Prosseguindo com a história de todo o diagnóstico:
Depois que lemos o prontuário, chegamos à conclusão que tudo era culpa da anestesia geral. Estávamos tranqüilos, pois agora era esperar a consulta com o neuro e aguardar o que daríamos de estímulo pro meu filho voltar a crescer como todas as crianças.
Então, chegou o mês de setembro. Eu estava com viagem marcada... iria para o Acampamento da MCA (Mulheres Cristãs em Ação – da UFMBB). Eu estava animada e ansiosa porque seria a primeira vez que eu viajaria sem o meu garotão. Ele ficaria em casa com o pai. Mas a semana anterior à viagem foi um tormento.

Foi uma sequencia de pesadelos, meu filho ficou dodói... parecia que não era para eu ir ao acampamento. Na quinta feira, levei o meu filho ao pediatra por causa da gripinha.
Como eu estava sem pediatra (eu iria ‘experimentar’ uma nova pediatra) eu resolvi contar tudo pra ela. Ela começou fazendo um histórico do meu filho e, durante a anamnese perguntou se ele já teve alguma intercorrência. Eu disse que não. Ela perguntou como foi o parto e eu respondi: “ele nasceu apagado porque eu tomei anestesia geral”. Então, ela ‘brigou’ comigo: “E você diz que não teve nenhuma intercorrência? Por que você não contou isso?” Então eu contei que ninguém nunca tinha falado que isso era importante.
Então senti confiança em dizer que ele não falava, que ele tinha reações muito fortes quando ficava decepcionado, que era apegado à rotina e que na escola quase não interagia. Então ela falou: “Alguém já te falou de autismo?” Foi então que eu percebi que o autismo não era algo da minha cabeça, que tinha mais coisa pra procurar e que eu realmente teria que esperar até outubro, quando estava marcada a consulta com a neuropediatra.

Fiquei triste, mas não arrasada. E, apesar de tanta coisa contrária, fui ao acampamento da MCA. Meu coração ficou na mão todos os dias, de saudades do garotão, do meu marido.
Nesse acampamento tem uma caixinha onde nós depositamos os nossos pedidos de oração. Pela primeira vez em toda a minha vida de MCA, eu resolvi escrever e colocar o meu pedido de oração. Aí, comecei a ver Deus trabalhando (não que Ele não estivesse, o problema é que só quando Ele nos abre os olhos é que conseguimos ver.)

O acampamento começou na sexta, e no sábado, tive uma palestra sobre educação de filhos com uma psicóloga. Após a palestra sentei com ela e desabei. Contei para ela o que eu estava sentindo, o que tinha acontecido. Assim, ela começou a me orientar sobre o que fazer.

Meu deu o telefone de uma clínica de psicologia, me deu uma lista de materiais para pegar e levar para a primeira consulta com o meu filho. Recomendou que eu pegasse um relatório dele na escola, que filmasse a rotina dele, que até filmasse ele na escola.  Eu não sabia, mas esse foi apenas o primeiro milagre que o Senhor estava preparando para nós.