sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um aperto de final de ano



Quanto a mim, sou pobre e necessitado, mas o Senhor preocupa-se comigo. Tu és o meu socorro e o meu libertador; meu Deus, não te demores! 
Salmos 40:17
Eu queria chegar e escrever um lindo relato de virada de ano... mas as coisas não foram tão legais assim.

A manhã estava ótima, acordamos mais tarde. Até iríamos à praia, mas preferimos acordar mais tarde, já que já tínhamos dormido tarde no dia anterior, aliás, a semana toda.
Acordamos e depois fomos comprar os presentes do Amigo X que teria na casa do meu irmão. Saímos pela avenida principal do bairro, tranquilos para fazer as compras. Após comprarmos tudo, voltamos por um outro caminho para evitar uma crise de birra do Garotão (3 anos 7 meses) ao passar por um caminho normal para a casa do vovô (iríamos para a casa).

E, no final desse caminho, fomos abordados por um indivíduo de moto, que logo me pediu o celular. Ele pôs a mão na cintura como se estivesse armado. Eu consegui entregar o celular pra ele (estava dentro da mochila, nas minhas costas) e eu segurava o meu filho (3 anos 7 meses) com a outra mão. Assim que entreguei o celular (que eu ganhei de Natal), ele foi embora e eu fui pra primeira loja que eu encontrei à frente, uma loja de colchões.

Sentei e chorei. Deixei meu filho brincando à vontade... Ele subiu nos colchões, começou a brincar, o que me deixou bem aliviada, já que aparentemente ele não havia percebido nada. Liguei pra polícia e depois para os meus pais. Eu com medo de começar a ter contração e perder o meu bebê (29 semanas) (uma amiga minha perdeu gêmeas após um assalto, por início de trabalho de parto prematuro). Fui super bem cuidada pelos funcionários da loja, um carinho comigo e com meu filho... Enfim... Papai do Céu colocou anjinhos bem pertinho da gente...

Quando voltei pra casa, comecei a ter contrações muito frequentes, e até um corrimento marrom. Fui direto para o pronto socorro obstétrico e lá fui bem atendida. Colo fechado, neném mexendo muito, e contrações ocorrendo por causa da ansiedade. Não precisei de medicação, apenas um repouso pra diminuir as contrações e não iniciar um trabalho de parto.
Enquanto isso, o Garotão parecia bem, sem qualquer demonstração de que havia sentido alguma coisa.

Ainda fui à minha GO (Ginecologista/Obstetra) e falei das dores na virilha que comecei a sentir no dia primeiro. A médica ficou preocupada pois as dores estavam muito cedo (estou com 29 semanas) e entramos com remédio pra reduzir as contrações e as dores.
Hoje, 4 dias depois do ocorrido, quando paro pra relembrar o que aconteceu, ainda sinto aflição, taquicardia e até início de contração. Fico pensando no que poderia ter acontecido com os meus filhos. E, com isso, o medo de sair de casa de novo aumenta. Desde o dia 31, ainda não fui à rua só eu e meu filho. Estou apavorada. Penso que o que não aconteceu dessa vez, pode acontecer na próxima que for à rua...

São tantas coisas que eu penso que me dão desespero...
- Como meu filho, uma criança autista, reagiria se percebesse o assalto?
- Como o assaltante reagiria se meu filho desse crise de birra ou quisesse sair correndo?
- E se o assaltante colocasse arma no meu filho?
- Se eu perdesse o meu bebê no susto?
- E se eu não estivesse com o celular?

E, ainda penso por que não consigo descansar nos braços do Pai. Eu deveria confiar e resolver tudo o que preciso, mas esses dias, fui ao supermercado com minha irmã e minha mãe, e foi uma situação de muita tensão... fiquei desesperada quando vi uma moto e também quando vi um indivíduo com um uniforme de futebol (a mesma camisa da pessoa que me assaltou...). Tanto que minha mãe e minha irmã estranharam a minha pressa.

Além disso, tenho um grande desejo no meu coração. Queria muito que a Graça de Deus alcançasse o coração dessa pessoa... E, quero muito, voltar a ter uma vida normal, sem medo, sem taquicardias e sem contrações fora de hora... Uma coisa que fiquei muito triste foi de não ter colocado nenhuma música no meu celular ainda... mas, felizmente já tinha baixado a Bíblia!