terça-feira, 5 de março de 2013

Desfralde de uma criança autista: o primeiro xixi no vaso



Grande em conselho, e magnífico em obras; porque os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas obras;
Tu puseste sinais e maravilhas na terra do Egito até ao dia de hoje, tanto em Israel, como entre os outros homens, e te fizeste um nome, o qual tu tens neste dia. 
Jeremias 32:19-20

A luta pelo desfralde tem sido pesada. Temos tentado tirar a fralda por completo durante o dia, inclusive na escola. Mas a sensação é que não tínhamos nenhuma evolução.
Estamos vivendo um momento de xixi no chão, sem avisar, ou recusa em ir ao banheiro quando oferecemos. Na hora do cocô então... esse está mais difícil. Nem um sinal de que as coisas vão andar.

Tivemos dois episódios que nos animaram muito, bem parecidos: o Garotão (3 anos 9 meses) fez xixi no banheiro, mas ainda na porta: uma com o calção outra ele teve tempo de tirar a cuequinha.

Mesmo com esses avanços, os acidentes ainda eram frequentes. O Garotão simplesmente não pede e nem se manifesta sobre o momento de ir ao banheiro! E, também, não vai ao banheiro fora de casa. Tanto que no sábado, levei-o à igreja para o ensaio do coral sem fraldinha. Levei-o ao banheiro algumas vezes e nada... depois, precisamos sair e ele fez xixi numa loja.

Na escola, a estagiária o leva várias vezes ao banheiro, mas ele não faz. E, acontecem duas situações: ou ele faz na escolinha no chão, ou segura até chegar em casa (morro de medo de infecção urinária!)

Mas ontem, ah... ontem (04.03.13), foi um dia de se emocionar, dia de chorar de alegria. Eu estava sentada na sala, com um bocado de dores nas pernas, costas e virilhas (afinal, estou com 38 semanas, né?) e o Garotão pediu para lavar a mãozinha no banheiro. Pedi pro Garotão lavar a mão sozinho e de repente, ele começou a chamar mamãe. Pedi pra minha irmã ir ver. Em pouco tempo, ele gritou: “xixi!”, achei que ele tivesse feito no chão, ou sujado tudo... pedi a minha irmã pra ver de novo e o Garotão...

Tinha feito xixi no vaso! Levantei correndo (ai minhas dores!) e cheguei lá, vi o Garotão pulando, correndo, feliz da vida... Ele me beijou um monte, eu o beijei muito... E chorei muito também. Ficamos muito, muito felizes. E, ver o Garotão comemorando junto, puxa vida! Que coisa gostosa! E, como ele me beijava, feliz da vida.

Algumas coisinhas que me marcaram muito:
1.     Sei que esse momento de ir ao vaso pode ter sido uma pérola, algo que apenas começou e que demore a se repetir. Não tem problema, vou guardar esse momento pra sempre em meu coração. Foi apenas o primeiro passo para uma grande vitória;
2.    A felicidade dele ao fazer xixi no vaso: a felicidade dele foi incrível. Parecia que ele também estava esperando pra conseguir. Parecia que ele também estava preocupado com o fato de não conseguir fazer xixi no vaso. E, por isso comemorou tanto. E, isso me fez pensar o quanto apesar de não parecer, ele está ligado nas coisas que o cercam, nas dificuldades que ele tem. Então, eu tenho que me concentrar e apresentar as dificuldades dele, conversar. Não somente falar dele, mas falar com ele, compartilhar com ele.
3.    Ah, claro, para cada fato, sempre tem um lado cômico, não é? Meu marido ainda está embarcado. Mas, assim que o Garotão ‘esqueceu’ o lance do xixi, liguei pro meu esposo e o chamei no geral. A equipe dele toda está em estado de alerta por causa do meu estado adiantado de gravidez.  Ele veio correndo pro telefone (ele estava num guindaste) e atendeu todo assustado. Ô dó! Tipo, eu sabia que ele poderia ficar assustado, mas, um presente desses não dá pra contar no dia seguinte, né?