segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Lutando pela nova estagiária

"Sei que o SENHOR sustentará a causa do oprimido, e o direito do necessitado." Sal. 140:12

Desde que acabou o contrato com a tia Rose,  o Garotão ficou sem uma mediadora. A escola enviou à administração da prefeitura a solicitação de um novo profissional 45 dias antes do fim do contrato. E, ainda assim, o Garotão ficou quase um mês sem a presença desse profissional.
Praticamente,  toda semana,  entrávamos em contato com o setor responsável pela educação especial e pela contratação, tanto nós pais,  como a professora e a diretora da escola. E, a cada telefonema, uma resposta diferente: " está na fila!" "Já está encaminhando", "liga semana que vem! " " ninguém quer assumir! ". E a resposta mudava de acordo com a pessoa que ligava.
Até que ocorreu um episódio que fez a professora dar um basta na situação: ela ameaçou não receber mais o Garotão em sala se não tivesse um profissional específico para ele.
Pirei. Tanto pelo meu filho (como explicar pra ele que a tia não queria ele na sala?) e pela professora (ela é ótima, gosto demais dela. Como ela pode fazer isso com ele???!  Recusar receber um aluno autista é crime!). Perguntei a ela se poderia dizer que ela tinha se recusado. Ela disse que estava se colocando na briga por ele, pelo meu filho.
Apesar de não entender a lógica dela, comprei a briga.  Sem sair da escola,  liguei pra prefeitura e contei a situação. E ainda liguei pra meu marido que estava embarcado pra ele tentar arranjar as coisas.
Foram muitas ligações no mesmo dia e nenhuma possibilidade.  Eu já estava achando que teria "barraco" na frente da escola no dia seguinte. ..
Passei na AMAES e recebi a orientação de ter tudo documentado por escrito. E, acho que nunca passei uma noite tão ansiosa.
Dia seguinte,  Garotão foi pra escola super animado. .. e foi correndo para a sala dele como de costume. E meu coração na boca: será que ela terá a coragem de barrar a entrada dele?
A professora não estava na sala,  era a professora de artes! Então,  não tivemos nenhum constrangimento.
Seguindo orientação da AMAES,  pedi para ela registrar a recusa dela no caderno dele. Resultado?  Todos os professores que lidam com ele registraram o risco pro Garotão e para as outras crianças caso ele fique sem um mediador. Com isso em mãos,  e ameaça de levar o caso ao Ministério Público,  a prefeitura enviou um representante para analisar o caso do Garotão e deslocou um profissional provisoriamente pra atender o Garotão.  E, em uma semana,  contrataram um novo profissional para ficar com o Garotão.
Tudo resolvido?  Para o Garotão, sim. Mas me preocupo com outras crianças.  Algumas frases me marcaram muito:
"A professora tem que receber a criança.  Ela é responsável pela inclusão e tem que dar conta. Outras professoras conseguem! "
Isso me preocupou muito. A inclusão é jogada em cima do professor sem que ele tenha condições de trabalho. O professor e os pais aceitam a situação e nem sempre tem noção se a inclusão está sendo realmente efetivada.
Se eu pudesse,  faria um apelo: Nunca abram mão de seus direitos em favor de ninguém.  Principalmente os direitos de nossas crianças especiais. Brigue,  acione o Ministério Público,  faça protestos e passeatas.  Não podemos é esperar sentados.
Nossos pequenos tem direito ao diagnóstico precoce,  ao tratamento gratuito e à educação realmente inclusiva. Se temos que lutar,  vamos nos unir e enfrentar! !!