quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Posso chorar?


“Jesus chorou.”
João 11:35

Quando a Princesa fez três meses, passei mais um grande susto. Um susto muito grande.
Estávamos em total correria para uma viagem, um grande congresso de mulheres batistas. Na quinta feira, fomos dormir com malas prontas e hotel reservado. E, o meu marido, embarcado, trabalhando. Tinha viajado na quarta-feira.

Na sexta (21.06.13), à meia noite, exatamente, a nossa Princesa acordou resmungando. Peguei-a e senti que ela estava muito quentinha! Medi a temperatura dela: 38,5oC. Fiquei preocupada: porque a princesa estava assim? Usei um antitérmico, e a temperatura não baixava. Ficamos até às seis da manhã, vigiando, mamando e às 6h da manhã, a febre baixou um pouco e ela dormiu um pouco. Eu também dormi um pouco mais...

Às 9h, ela acordou de novo, com 38,5oC de febre e a viagem foi se desfazendo em meu coração. Liguei pros meus pais, e eles vieram me ajudar, para dar atenção ao Garotão. E a febre da Princesa não cedia.

Meio dia, a febre baixou pra 37,2oC e ela dormiu de novo. Ainda não tínhamos decidido se iríamos ou não para o Congresso. Quando medimos às 13h e a febre não tinha subido, decidimos viajar.

Às 14h, a Princesa acordou de novo, agora, com febre de 39ºC. Então, partimos, minha irmã e eu para o pronto-socorro. Disse ao Garotão que iríamos ao médico e voltaríamos quando a Princesa melhorasse.

No caminho, fui orando para que o Senhor colocasse médicos legais (a gente sabe como é médico de PS, né? Nem sempre são os mais simpáticos...) para nos atender e que tudo fosse esclarecido. Chegamos e a médica muito boa (já temos ótimas experiências com ela com o Garotão), olhou ela todinha, e como não achava visualmente um motivo de febre, pediu raio x e exame de sangue. Só que só poderia coletar exame de sangue se a febre baixasse. Passou um antitérmico pra princesa e a gente foi pro raio x. Estávamos na expectativa de que assim que coletássemos o exame e o resultado saísse, iríamos embora.
Mas, ao voltar do raio x, a febre ainda não havia baixado. Tivemos que dar um banho frio na Princesa (ai, meu coração!) e aí, a febre baixou um pouco e foi possível coletar o exame.

Esperamos mais duas horas para sair o resultado e a Princesa, apesar da febre, estava sorridente e brincalhona. Estávamos confiantes que iríamos sair do hospital, então, o resultado chegou.

Brincalhona, a médica correu para pegar o resultado do exame de sangue e parou estática: o resultado dizia que a Princesa estava com infecção e teria que ser internada.
Internada? Como assim? Não consegui acreditar. Comecei a chorar. Eu não podia ter mais alguém comigo, afinal, a regra no PS infantil é que esteja apenas uma pessoa com a criança. Minha irmã passou a tarde inteira (das 14h às 19h) na recepção, sozinha, sem ninguém, sem poder entrar. Então, mandei uma mensagem SMS para ela e ela respondeu pedindo para entrar imediatamente. Não tinha como, não era autorizado.

Então, fui para a porta que ligava o PS à recepção e abracei a minha irmã. Ali,  choramos nós duas, com a Princesa no colo naquela porta. O segurança do hospital ficou como que compadecido de nossa situação e disse:
- Você tem fé? Você acredita em Deus?
Eu respondi que sim.
- Então, ele respondeu, não precisa chorar. É só crer.
Não sei de onde me veio o que se passou pela minha cabeça e respondi:
- Deus não me proíbe de chorar.

Acho que fui meio ríspida, fiquei com dó depois. Sei que ele queria apenas nos consolar, mas eu precisava chorar... E, essa fala dele e a minha resposta, me remeteram ao texto de João 11... que relata Jesus ressuscitando Lázaro. Lembrei de um versículo: “Jesus chorou.”
Isso foi de um impacto muito grande pra mim. Foi ver mais uma vez, na Palavra de Deus que Ele se importa! Ele também estava ali, sentindo o que eu estava sentindo... e não duvido que talvez estivesse chorando junto com as minhas lágrimas.
E isso me deu liberdade de chorar, me deu liberdade de sentir o que estava sentindo... E, por incrível que pareça: me deu força pra encarar a internação da Princesa com ânimo e fé.


Foram  5 dias no hospital. Não foram dias fáceis, mas pude chorar. Pude deitar no ombro de Papai do Céu e  me fortalecer. Muitas vezes a gente chora, e descobri que isso não é problema para o Senhor... Muito pelo contrário. Servir ao Senhor não significa que temos que andar sem chorar e simplesmente ficar firmes frente aos problemas da vida, podemos chorar, mas podemos contar com o colinho de Papai do Céu!