domingo, 10 de maio de 2015

Dia das Mães: Um pedido


SENHOR, a Ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos à minha voz, quando a Ti clamar. Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde.
Salmos 141:1,2


Hoje é dia das mães (10.05.2015)  e muitas estão recebendo presentes de maridos e filhos... Eu também recebi presentes lindos do marido, Garotão e da Princesa e também presenteei a minha mãe, e meu marido também presenteou a mãe dele.
Mas, eu queria hoje fazer alguns pedidos especiais... afinal, ser mãe não é fácil, mas mãe de uma criança que tem necessidades específicas é um desafio ainda maior...
Se eu pudesse fazer uma lista de pedidos, apenas para as mães especiais, eu pediria:

- Que todas tenham o direito de ver seu filho matriculado na instituição adequada para o seu filho: sem precisar brigar, sem precisar acionar Ministério Público, sem advogados. Já é desafiador acompanhar o desenvolvimento escolar da criança, e ainda precisar gastar a energia para ver os direitos atendidos: filas, salas de esperas, telefonemas, enquanto às vezes, do próprio lado, a criança está tendo crises e a mãe tem que administrar tudo ao mesmo tempo. Que, se for educação inclusiva, que seja real. Que se for especial, que atenda a criança perfeitamente.

- Que todas possam ver seus filhos tendo as terapias necessárias para seu desenvolvimento integral, de preferência, garantido pelo Estado: é cruel a luta que a mãe passa para garantir que seu filho tenha pelo menos um atendimento terapêutico. É quase a mesma luta pela educação. Muitas vezes a mãe passa mais tempo brigando pela terapia do que a criança aproveitando os recursos dela. A luta já começa para conseguir um laudo (médicos que vivem ignorando os sinais que as mães relatam em seus consultórios). Quantas mães precisam ser mais terapeutas do que mãe para garantir o melhor desenvolvimento do seu filho? Não que a mãe não deva conhecer os tratamentos a fundo, mas porque muitas vezes os filhos não são atendidos dignamente, então, ela acaba chegando à conclusão de que é melhor que ela mesma trate o filho em casa do que submetê-lo a um sistema de saúde que irá apenas desgastá-los
- Que todas possam ter o direito de escolher se vão ou não trabalhar fora: muitas mães adorariam ter um tempo maior com seus filhos especiais, levando-os às terapias, cuidando deles de forma mais presente, mas não podem fazer essa escolha, pois se deixarem de trabalhar, eles não terão como bancar financeiramente  tudo aquilo que o filho precisa para uma vida digna: escola, médicos, remédios e terapias. É, existe um valor direcionado para as pessoas com deficiência. Mas, é vergonhoso. Não, não cobre o quanto essa criança ‘gasta’ em terapias, já que o próprio governo não garante isso. E, essa mesma mãe que precisa trabalhar, não tem onde deixar essa criança. Não existe um sistema integral, não há como passar o dia inteiro trabalhando e levar essa criança para ter o tratamento que ela precisa.
- Que todas tenham direito a um acompanhamento psicológico: toda mãe especial precisa de um acompanhamento terapêutico. A  mãe precisa estar equilibrada para lidar com os desafios que a sua criança apresenta. Se essa mãe não tem como bancar o tratamento do filho, dificilmente ela irá buscar atendimento para si mesma. Como dizem por aí, é necessário por a máscara de oxigênio primeiro, antes de atender o outro. Se uma mãe naturalmente se doa integralmente, esquecendo-se de si mesma, imagina então, uma mãe especial. Essa mãe não vê limite em si mesma, ela vai até o fim para fazer o melhor para o seu filho. Resultado? Mães com depressão, sem visão de futuro, pensando: “será que a minha vida e a da minha criança vale a pena?”
- Que todas possam ser integralmente... Mães! – Nós, mães especiais, acabamos nos envolvendo tanto com os problemas que nossos filhos enfrentam (não relaciono os específicos dos transtornos, como o autismo) que viramos advogadas – já que nossos direitos não são garantidos, e então sobra para nós irmos aos órgãos públicos lutar por eles, - médicas – já que conseguir vaga com um médico especialista é tão difícil que acabamos por nós mesmas estudando e até mesmo diagnosticando os nossos filhos,  - terapeutas – tratamos nossos filhos em casa mesmo, -e  professoras – já que a inclusão é quase uma ilusão – que quase não temos tempo para sermos mães. Não nos sobra tempo para brincar, para ir na onda deles, para viver a maternidade.
A todas as mães, um grande abraço!
E, que mesmo em meio a tantas lutas, e às vezes, tão poucas vitórias, vocês possam ver nos olhos que nem sempre nos olham, a razão de sermos, simplesmente, mas integralmente...


MÃES!