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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Diagnóstico do Garotão


Senhor, pois, é aquele que vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te espantes.
Deuteronômio 31:8
Quando fizemos o relato da avaliação neuropsicológica, eu reli todo o processo de diagnóstico do Garotão. E, fiquei surpresa quando descobri que eu ainda não relatei o diagnóstico dele propriamente dito! Não acredito que deixei passar esse detalhe! O mais incrível: nesse período que completamos quatro anos de diagnóstico, esses dias ainda são bem reais, como se tudo tivesse acontecido ontem.
No último post que contei a história do relato (leia aqui), eu falei de como foi entregar a Deus toda a dúvida e toda a expectativa e contei que a psicóloga que deu a palestra me deu altas dicas e contatos para a primeira consulta. Ele tinha 2 anos e 4 meses.
Assim que chegou a segunda feira, liguei para o telefone que ela me deu: era o núcleo de psicologia de uma universidade particular de minha cidade. Assim que fiz o contato, o atendente me recomendou que eu fosse ao local.
Cheguei lá, fui atendida por uma estudante de psicologia que me ajudou a preencher uma ficha, me orientando nos termos técnicos e nos relatos do comportamento do meu filho e o que isso significava naquela ficha.
E, aí, veio a série de milagres: consegui consulta com a neuropediatra da clínica da faculdade pra quinze dias! É ou não é milagre? Eu estava agendada há pelo menos dois meses para uma neuropediatra, ainda no aguardo e essa eu consegui em quinze dias!
Enquanto isso, fui reunindo o material sugerido pela palestrante: vídeos, relatórios e resultados de exames. Uma grande expectativa, uma enorme ansiedade. Minha irmã nos acompanhou na consulta. E, após ler a ficha que preenchi e olhar o Garotão, ela foi tranquila em falar se já tínhamos pensado e ouvido falar de autismo. E, nem acreditei: ao ouvir essa suspeita, senti calma, senti paz...
Senti paz por finalmente encontrar uma resposta, por estar certa, por ter entendido o meu filho, por não ter ignorado os sinais... E por saber que a partir desse momento, eu teria uma orientação profissional.
Mas, a neuropediatra não apenas falou sobre autismo, mas o encaminhou para uma avaliação neuropsicológica (que por um acaso, foi muito diferente da que ele fez recentemente – Leia aqui ). Foram três sessões em que ele ficou livre, em que brincamos em uma salinha (brincamos? Eu me lembro bem que eu tentava falar, chamar e eu não tinha nenhuma resposta!) e a neuropsicóloga e uma estudante de psicologia ficaram observando e anotando.

Finalmente, após as três sessões de avaliação, tivemos a sessão devolutiva. Tranquilamente recebemos o laudo confirmando o autismo. Ele foi avaliado pela escala CARS (childhood autismo rating) como autismo leve/moderado. À partir daí, com um laudo em mãos, com o CID de F 84.0, pudemos partir em busca do tratamento do Garotão.
E, quando Deus faz milagre, Ele faz completo: Garotão entrou num programa da própria universidade de tratamento, de terapias e avaliação, por dois anos. E gratuito (Leia Aqui )


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Avaliação Neuropsicológica


Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Filipenses 4:6,7


Finalmente chegou o dia. Hoje o Garotão inicia o processo de fechamento do diagnóstico, com a avaliação neuropsicológica. Desde o primeiro diagnóstico, de autismo infantil, aos dois anos e quatro meses, ficamos esses últimos anos investindo no desenvolvimento do Garotão: consultas, terapias, escola, sempre pensando na evolução do Garotão.
Lembro-me bem da consulta em que a médica deu o diagnóstico de autismo infantil: ela disse que estaríamos trabalhando para que ele se desenvolvesse ao ponto de estar na  área mais externa do espectro. E, talvez, quem sabe, chegar ao ponto do autismo não ser perceptível.
Hoje, inicia o processo de fechamento. A nossa expectativa é que ele feche como sendo “Autismo de Alto Funcionamento”, mesmo com o autismo perceptível por causa das estereotipias e da forma não natural de falar,  mas não sabemos. Serão cinco sessões... cinco semanas... e ansiedade. E entregando nossos pensamentos a Deus.
Estaremos aqui compartilhando o que pudermos sobre esse processo.
Se você quiser saber como foi o início da suspeita e do diagnóstico, clique aqui 


domingo, 3 de junho de 2012

Quando chega a hora de Deus



Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. 
Eclesiastes 3:1
Prosseguindo com a história de todo o diagnóstico:
Depois que lemos o prontuário, chegamos à conclusão que tudo era culpa da anestesia geral. Estávamos tranqüilos, pois agora era esperar a consulta com o neuro e aguardar o que daríamos de estímulo pro meu filho voltar a crescer como todas as crianças.
Então, chegou o mês de setembro. Eu estava com viagem marcada... iria para o Acampamento da MCA (Mulheres Cristãs em Ação – da UFMBB). Eu estava animada e ansiosa porque seria a primeira vez que eu viajaria sem o meu garotão. Ele ficaria em casa com o pai. Mas a semana anterior à viagem foi um tormento.

Foi uma sequencia de pesadelos, meu filho ficou dodói... parecia que não era para eu ir ao acampamento. Na quinta feira, levei o meu filho ao pediatra por causa da gripinha.
Como eu estava sem pediatra (eu iria ‘experimentar’ uma nova pediatra) eu resolvi contar tudo pra ela. Ela começou fazendo um histórico do meu filho e, durante a anamnese perguntou se ele já teve alguma intercorrência. Eu disse que não. Ela perguntou como foi o parto e eu respondi: “ele nasceu apagado porque eu tomei anestesia geral”. Então, ela ‘brigou’ comigo: “E você diz que não teve nenhuma intercorrência? Por que você não contou isso?” Então eu contei que ninguém nunca tinha falado que isso era importante.
Então senti confiança em dizer que ele não falava, que ele tinha reações muito fortes quando ficava decepcionado, que era apegado à rotina e que na escola quase não interagia. Então ela falou: “Alguém já te falou de autismo?” Foi então que eu percebi que o autismo não era algo da minha cabeça, que tinha mais coisa pra procurar e que eu realmente teria que esperar até outubro, quando estava marcada a consulta com a neuropediatra.

Fiquei triste, mas não arrasada. E, apesar de tanta coisa contrária, fui ao acampamento da MCA. Meu coração ficou na mão todos os dias, de saudades do garotão, do meu marido.
Nesse acampamento tem uma caixinha onde nós depositamos os nossos pedidos de oração. Pela primeira vez em toda a minha vida de MCA, eu resolvi escrever e colocar o meu pedido de oração. Aí, comecei a ver Deus trabalhando (não que Ele não estivesse, o problema é que só quando Ele nos abre os olhos é que conseguimos ver.)

O acampamento começou na sexta, e no sábado, tive uma palestra sobre educação de filhos com uma psicóloga. Após a palestra sentei com ela e desabei. Contei para ela o que eu estava sentindo, o que tinha acontecido. Assim, ela começou a me orientar sobre o que fazer.

Meu deu o telefone de uma clínica de psicologia, me deu uma lista de materiais para pegar e levar para a primeira consulta com o meu filho. Recomendou que eu pegasse um relatório dele na escola, que filmasse a rotina dele, que até filmasse ele na escola.  Eu não sabia, mas esse foi apenas o primeiro milagre que o Senhor estava preparando para nós.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Prontuário do Parto



Acabei dando um longo tempo sobre o relato do caminho em busca do diagnóstico do autismo... Bom, estou voltando com mais um capítulo... Não é proposital essa demora, é que a vida anda tão corrida por aqui..

Salmos 139:16
Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles. 


Logo depois que eu senti a suspeita de autismo crescendo dentro de mim, consegui resgatar o prontuário do parto do meu filho (clique aqui pra saber quando e porque eu peguei esse prontuário). Recebi-o e li tudo, tudo mesmo, e o que aconteceu dentro da sala de parto deixou de ser um mistério.

Na verdade, não aconteceu nada que eu não soubesse, ou que não houvessem me falado. A diferença é que, lendo o que estava escrito, eu teria relatos médicos oficiais.
Então, o que aconteceu: precisei tomar anestesia geral, meu filho nasceu hipotônico e precisou e reanimação. Foram duas tentativas, ele ‘voltou’ na segunda tentativa. Essa segunda tentativa, houve a necessidade do meu garotão ser ‘entubado’ (disso eu não sabia). Então, a resposta a essa segunda reanimação foi perfeita, e em cinco minutos ele estava bem. Tanto que ele chegou primeiro que eu no quarto (só um detalhe: de toda a família, eu fui a última a vê-lo)

Ao invés de desespero, ao ler tudo aquilo, eu senti uma paz, pois eu tive mais uma confirmação de que Deus estava cuidando de tudo. E, que se meu filho tivesse algum problema, provavelmente era por causa da anestesia (ou seja, descartei o autismo de novo...) e por ter nascido ‘apagado’. Além disso, saber de tudo que ocorreu me ensinou uma coisa: ter o meu filho foi um milagre. Seja o que for que tenha acontecido, seja o que for que ele tenha, ele lutou pra chegar aos meus braços, e eu prossigo lutando por ele.
E assim, novamente, descartei a suspeita de autismo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mais do que terapeutas...


No último domingo, meu marido e eu fomos ao curso promovido pela AMAES (Associação dos Amigos dos Autistas do ES), com a professora Ms. Maria Elisa Granchi Fonseca para pais. Aprendemos muitas e muitas coisas, mas uma das coisas que ela disse que mais me marcou, foi quando ela disse que nós pais não somos terapeutas, somos pais.
Não, ela não queria nos colocar como ‘apenas pais’. Na verdade, me senti mais que terapeuta... sou mãe!
Fiquei pensando em quanto fico envolvida em ler, buscar conhecimento, cuidar do meu filho para que ele sinta o melhor, para que ele aprenda, eu esqueço, que muito mais que terapeuta, eu sou mãe.
O que eu devo fazer, além de ajudá-lo a crescer no seu desenvolvimento em relação ao autismo, é brincar, é sair, me divertir, é amá-lo! Ir à praia, ir ao shopping, ir ao parque, ir à piscina, comer coisas gostosas, passear, nos divertir ao máximo, e fazê-los muito feliz. É aproveitar os momentos da vida dele, da nossa vida de pais... Curtir o desenvolvimento dele sem ficar comparando com outras crianças, sem ficar estabelecendo relações com tratamentos assim ou assado.
Ser mãe/pai não nos isenta das responsabilidades em relação ao tratamento do nosso filho. Nós devemos é acompanhar, observar e dar o nosso julgamento em relação às terapias que nosso filho faz, se está ou não funcionando. Devemos conhecer as possibilidades e as oportunidades. Ser pai/mãe é ser mais que terapeuta. É uma grande responsabilidade. Somos nós que acompanhamos tudo em casa, e muitas vezes, somos nós que fomos os responsáveis pelo diagnóstico, quando não acreditamos quando nos diziam que era pra ficar tranquilo...
E, principalmente, devemos ser pais... Ah, como é bom ser uma mamãe especial!

Descobri que não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive.
Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus.
Sei que tudo o que Deus faz permanecerá para sempre; a isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus assim faz para que os homens o temam. 
Eclesiastes 3:12-14 (NVI)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quando a Suspeita de Autismo apareceu


Bom, até conseguir terminar toda a história do diagnóstico vou ficar interrompendo os relatos de casos diários com uma busca histórica...  No último post sobre essa busca do diagnóstico (clique aqui para ler), eu contei sobre a entrevista com a fonoaudióloga.
Ficamos desde essa consulta em julho até setembro sem qualquer atenção profissional. Assistíamos a falta de comunicação do nosso filho, o aumento das crises de birra, enfim, víamos tudo, não sabíamos o que fazer. Até esse momento, achávamos que tudo era culpa das viagens do meu marido, mas esse é o trabalho dele. Eu pensava que precisávamos de uma indicação de um psicólogo pra nos ajudar com o nosso filho.

Em várias comunidades, grupos, eu compartilhava a minha ansiedade sobre a fala do meu filho. Todas as pessoas com quem eu conversava me diziam que esse era o tempo dele e que minha ansiedade estava atrapalhando.

Até que um dia, em uma comunidade do Orkut (Pediatria Radical), apareceu logo no início um tópico chamado “Mãe de Criança do Espectro Autista”. A última vez que eu tinha lido algo sobre o autismo eu tinha 8 anos de idade (muito tempo atrás...). Li boa parte do tópico e identifiquei as características do meu filho logo no início. Foi aí que comecei a ficar com medo. Segui lendo o tópico, que era enorme. Foi quando disseram que o autismo é caracterizado pela tríade: falha na comunicação, dificuldade de socialização e rotina (movimentos repetitivos). Eu pensei: ” ah, meu filho não tem nenhum problema desses não... afinal, ele se relaciona bem comigo e com o pai, com os avós, não tem as estereotipias... Ah, meu filho é normal.” O tópico tem vários vídeos que eu não tive paciência para ver na primeira vez.

Até que um dia, tomei coragem e parei para ver os vídeos postados no tópico. Eles comparavam o comportamento de uma criança neurotípica com uma criança autista. Quando eu vi aqueles vídeos com carinho, em todos eles eu vi o meu filho. Eu estava sozinha em casa (meu marido estava trabalhando) e eu caí no choro. Meu filho, autista? Como? Mas o meu filho tinha boa socialização com a família, não era possível algo assim. Chorei, chorei muito. Mas eu não sabia o que falar, com quem falar. Estávamos sem pediatra, sem médico e só tínhamos médico marcado para daí a dois meses. E, eu iria falar o quê? Que eu achava que meu filho era autista porque tinha visto na internet? Eu não tinha a menor ideia do que fazer.

Meu marido chegou e viu os vídeos também. Ele também reconheceu o meu filho nos vídeos ali postados. Mas eu precisava confirmar a questão da socialização.
Passei então a jogar no dr. Google os sintomas do meu filho: atraso na fala e birras autodestrutivas. Só aparecia site sobre autismo. Não era possível.

Conversei com a professora do meu filho na escola e ela confirmou: ele pouco se envolve com os coleguinhas da escola, mas ela não achava assim tão diferente. Foi então que a minha cabeça confirmou a suspeita. Só que eu não sabia o que fazer.

Com a minha voz clamo ao Senhor; com a minha voz ao Senhor suplico.
Derramo perante ele a minha queixa; diante dele exponho a minha tribulação.
Quando dentro de mim esmorece o meu espírito, então tu conheces a minha vereda; no caminho em que eu ando ocultaram-me um laço.
Olha para a minha mão direita, e vê, pois não há quem me conheça; refúgio me faltou; ninguém se interessa por mim.
A ti, ó Senhor, clamei; eu disse: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.
Atende ao meu clamor, porque estou muito abatido; livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu.
Tira-me da prisão, para que eu louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me farás muito bem. 
Salmos 142:1-7

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Consultando com a fonoaudióloga


Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude. 
Salmos 72:12

Bem, acabei parando de falar sobre o diagnóstico, né? Bom, então, vamos a mais um capítulo da saga em busca do diagnóstico.

Depois de passarmos pelo neuro, nós viajamos para o 2º. módulo da minha pós graduação. Na volta, tinha consulta marcada com uma fonoaudióloga e achei que poderíamos então começar com a terapia para que meu filho começasse a falar.

Ela foi o segundo profissional que me atendeu de forma completa. Fez toda uma anamnese, perguntou o desenvolvimento dele desde que nasceu. E, como a otorrino tinha comentado da importância do fato do meu filho ter nascido hipotônico, falei isso também. Então contei tudo: o desenvolvimento do meu filho, quando ele começou a balbuciar, quando ele começou a falar, quando começou a andar... tudo, tudo, tudo.

Ela o observou, conversou bastante comigo e deu o veredito:
Ela não poderia fazer nada por enquanto, só à partir do ano seguinte (ou seja, agora, 2012), pelo seguinte motivo: os planos de saúde não recomendam (e não pagam) tratamento para crianças com menos de 3 anos de idade e que ela só poderia fazer qualquer coisa com a recomendação de um neurologista.

Fiquei muito chateada. Por mais que a fono fosse legal, ela não poderia fazer nada sem uma indicação médica. E, eu não conseguia consulta com as neuropediatras de referência aqui da minha cidade!

Pelo menos, me deu algumas orientações, como anotar as coisinhas novas e ser ainda mais incisiva na comunicação. Me disse para sempre falar os nomes das coisas em todos os momentos e ainda fez recomendações para a escola. E disse para eu não dar as coisas enquanto meu filho não falasse o nome do que ele queria.

Fiquei muito triste porque fez recomendações de coisas que eu faço normalmente. Me senti a mãe mais incompetente do mundo. Tudo que ela tinha recomendado eu já fazia. A única coisa que eu não fazia era negar as coisas até que ele falasse. Eu não podia fazer isso! Quando eu não dava, as crises de birra dele eram terríveis. Ele se machucava. E, o estresse por isso era muito grande. Deixei essa recomendação de lado.

Eu não podia fazer mais nada.

Então, liguei de novo para uma das neuropediatras de novo e a recepcionista disse novamente que não tinha vaga. Então, comecei a chorar. Perguntei a ela se ela tinha alguém pra recomendar e ela disse que não. Então eu disse chorando: “o que eu faço então com o meu filho? Por favor! Você pode fazer alguma coisa?” Então consegui uma vaga para outubro.

Enquanto isso, peguei o relatório que a fono tinha feito e levei pra escola, para arquivar junto com os documentos do meu filho. A pedagoga leu e novamente, alguém me fez sentir culpada pela forma que cuido do meu filho, recomendando as mesmas coisas. Quando eu disse que suspeitava que a fala do meu filho estivesse atrasada por causa das viagens do meu marido. Nessa hora, ela disse que eu estava ‘psicologisando demais’. Saí da escolinha do meu filho ainda mais triste.

Me senti a pessoa mais errada, a pior mãe do mundo, que não estava sabendo cuidar do meu filho.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A consulta com o primeiro Neuropediatra


A otorrino estava nos acompanhando de uma forma incrível. Pediu um outro exame, o BERA (clique aqui para saber como foiessa experiência) para que, quando fôssemos a um neuro, já teria os exames prontos, o que diminuiria as caminhadas em busca de um diagnóstico. O BERA deu negativo, o que confirmava ainda mais que não havia nada físico. Então, a otorrino nos deu um encaminhamento para fonaudiólogo e para neuropediatra (agora um, encaminhamento decente, aceitável por um plano de saúde).
Assim que saímos da consulta com a otorrino, fomos atrás de um neuropediatra. Aqui, onde moro, eu conhecia apenas uma neuropediatra de referência. E, a otorrino indicou uma outra neuropediatra. Entrei em contato  com ambas e não havia vaga para elas. Não havia nem como marcar.
Então, procuramos um neuro da nossa lista do convênio. Marcamos a consulta pra 15 dias pra frente (primeira quinzena de julho de 2011). Foram duas semanas de ansiedade, imaginando que ali teríamos algo que nos direcionasse no cuidado com nosso filho. Em nosso coração, o atraso na fala do meu filho ainda era consequência das viagens a trabalho do meu marido.
Enfim, chegou o dia da consulta. Esperávamos investigações, exames, e tantas outras coisas. Nada, nada, nada. O médico não perguntou nada. Tentamos contar um histórico do meu filho e o médico nem ao menos deu atenção. Tudo o que levantávamos de possibilidades, ele descartava, sem qualquer investigação.
No final, recebemos uma receita de uma ‘vitamina’ para o cérebro e uma recomendação para que voltássemos daí um mês, pois ele estaria falando normalmente.
Obviamente, não voltamos e resolvemos que iríamos conseguir de qualquer forma uma brecha na agenda daquelas neuropediatras. Tínhamos que conseguir! A nossa tranquilidade dependia disso!
Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 
Mateus 7:7

sábado, 28 de janeiro de 2012

A primeira consulta com Otorrinolaringologista


Assim diz o SENHOR que te criou e te formou desde o ventre, e que te ajudará: Não temas 
Isaías 44:2

Depois que saímos com o encaminhamento, liguei para a clínica de otorrino e fono e perguntei o que eu devia fazer. Em meio a tantas dúvidas, a atendente foi solícita e me orientou em tudo o que eu precisava. O meu maior medo era que, como a pediatra tinha escrito “mãe preocupada com a fala”, eu não poderia fazer nada, nem conseguir uma consulta.
Pela graça de Deus, conseguimos a consulta com otorrino sem qualquer problema e, pela primeira vez, sentimos que alguém estava nos dando a atenção que precisávamos. Ela viu os primeiros exames do meu filho (teste da orelhinha, que a criança faz quando nasce) e perguntou porque eu não voltei quando ele tinha 6 meses. Eu fiquei encucada, pois não sabia. Sim, estava escrito no exame que a criança deveria voltar e fazer o exame aos seis meses, mas esperava que a pediatra falasse alguma coisa. É, ninguém falou nada. À partir de então, a otorrino fez um histórico de vida do meu garotão.
Então, eu contei que quando ele nasceu, tivemos um probleminha. Eu precisei de anestesia geral e meu filho ‘pegou’ a anestesia e nasceu hipotônico. O meu conhecimento sobre esse fato era que meu filho nasceu apagado e tinha sido reanimado. Os detalhes, eu não sabia. Então, a otorrino perguntou: “E você nunca foi a um neuro?” Eu fiquei assustada. Afinal, ninguém tinha dado importância a esse fato. Nenhum profissional pelos quais passei falaram qualquer coisa. Eu achei que tudo estava resolvido. Então, aí, senti que o que meu filho não se desenvolvia era devido à esse fato.
Fizemos os exames pedidos pela otorrino e vimos que meu filho estava escutando bem. Os exames mostraram que a audição do meu filho estava perfeita. Então, a otorrino pediu um outro exame, o BERA.
Desci da consulta com um encaminhamento pra neuropediatra, e passei no hospital onde meu filho nasceu e pedi o prontuário de nascimento do meu filho. Fiquei ansiosa para saber o que foi que se passou naquele centro cirúrgico.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Como tudo começou...


Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão. 

Salmos 127:3


Bom, há 4 meses recebemos um diagnóstico que ninguém espera: nosso filho está no espectro autista. Bomba? Talvez, se não estivéssemos percebendo tantas diferenças no que deveria ser o desenvolvimento normal do nosso filho.
Tudo estava bem. Nosso filho com 1 ano e meio, estava crescendo, falante, dizendo palavrinhas de duas sílabas. Passamos o mês de novembro, férias do meu marido, quase que viajando o tempo inteiro. Foi um mês incrível, nos divertimos abessa. E, nisso, meu esposo passou um mês em casa.
Porém, no início de dezembro, meu marido voltou a trabalhar. E, como meu marido trabalha viajando, a ausência do meu marido de casa provocou uma reação muito estranha no meu filho: ele simplesmente parou de falar. De uma hora para outra.
Não nos preocupamos, apenas ficamos tristes por estarmos percebendo o quanto o pai fazia falta pra ele. Mas, achávamos que quando o meu marido voltasse, ele retornaria à tagarelice e ainda, prosseguiria o seu crescimento no incrível mundo da comunicação.
Meu esposo voltou 15 dias depois. E o meu filho não voltou a falar. Uma semana depois, meu marido viajou de novo, e o meu filho continuou calado. Ele simplesmente parou de falar. Comentamos com a pediatra sobre isso e ela dizia:”se ele já falou, ele vai voltar a falar”. E, que era normal ele ficar sem falar até os 2 anos. Então, tranquilos esperamos até os dois anos.
Meu filho continuava sem falar. As palavrinhas que antes eram ricas, à partir daquele momento ficaram restrita a resmungos incompreensíveis. A voz que acompanhava músicas, perdia os compassos e se restringiam aos gestos que iam se perdendo.
E, da pediatra veio mais um conselho: colocá-lo na escolinha, pois ela iria ajudá-lo a se desenvolver e, que na metade do ano, ele já estaria super independente e falante.
E, assim, matriculamos o nosso filho na escolinha da prefeitura, acreditamos que o nosso filho, em  Julho, estaria totalmente desenvolvido, no mesmo nível que todas as crianças!!

domingo, 27 de novembro de 2011

Precisarei assumir...



"O coração do homem planeja o seu caminho, mas o SENHOR lhe dirige os passos." Provérbios 16:9

Tenho coisas demais para relatar, mas esses relatos dependem de assumir um fato. Há quase dois meses recebemos um diagnóstico. Foi uma jornada dolorosa, que irei descrever aos poucos, pois foi longa, mesmo sendo uma jornada de pouco mais de dois meses.
Dois meses? Não. Na verdade essa jornada começou há mais de dois anos...
Mas, talvez surja uma pergunta: porque tanta resistência em assumir isso no blog? Por alguns motivos: o blog é público, muitas pessoas estarão acompanhando (olha só... estou me achando... na verdade, mais o risco de certas pessoas acharem por acaso... rsrs). E, pessoas bem conhecidas, bem próximas de nós. Não quero expor minha família, não quero que pessoas mudem o comportamento com ele por causa disso. E, também, acho injusto que pessoas que amo, não sejam as primeiras a saber. Afinal, elas cresceram comigo, cresceram com o meu filho... E, não quero que elas saibam primeiro pela internet ou por outras pessoas...
Tenho pedido a Deus para mostrar como fazer, como contar para essas pessoas que amo. Não quero chegar e contar. Peço a Deus que elas tenham curiosidade e amor e venham falar comigo, para que assim, abram caminho para que eu possa abrir o meu coração.
Então, não falarei claramente agora, até que fique claro para diversas pessoas. Aí, sim, poderei voltar para o blog e contar tudo o que está acontecendo.
E, o Senhor que cuidou de nós em tantas coisas, está cuidando desse fato, cuidando das pessoas que estarão nos acompanhando nessa nova etapa de nossa vida.