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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

2017... O ano difícil.

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Filipenses 4:6,7



2017 foi um ano muito difícil em relação ao desenvolvimento do Garotão. Passamos por muitos obstáculos, muitos desafios que desestabilizaram principalmente o emocional do Garotão.
Primeiro, na escola, o Garotão estava apresentando mudanças de comportamento com a ausência do pai: resistência à realização de atividades, à chamadas da professora. Até então, controlável, explicável, contido com tranquilidade.
Depois, a prefeitura da cidade resolve colocar um estagiário para atender três crianças com deficiência. Então, foi mudada a estagiária do Garotão, colocaram outra criança na mesma sala ... ou seja, alterou toda a estrutura do Garotão. As mudanças de comportamento começam a se acentuar. Até então, apenas gritos em sala de aula e resistência. Ainda tranquilo de trabalhar.
Mais alterações na estagiária (tanta alteração que eu já não sabia quem era mais a estagiária que o acompanhava), e o comportamento ainda mais alterado. Agressividade agora presente, e alternando entre autoagressão e agressão aos colegas. Reclamações cada vez mais vezes na porta da sala. Cada vez mais registros na caderneta das ocorrências em sala de aula.
E, último trimestre: as conversas com os terapeutas não mudavam nada. O comportamento do Garotão só piorava. As crises não aconteciam só na escola. Em casa, a agressividade aumentava, os gritos, também. A irmãzinha, que até então mantinha a calma, começou a se esconder com medo das crises. Nada conseguíamos fazer para mudar.
Então, conversando com os terapeutas, conversando com a neuropediatra, conversando com a equipe escolar,  percebemos que um dos motivos de tanta agressão:  o cansaço. Garotão estava num nível de estresse pesado até mesmo para um adulto.
Fizemos um cálculo simples: são 10 horas semanais de terapia, mais 2 horas de  contra-turno, mais 25 horas de escola. Além de 1h30 de trânsito diário. Rotina pesada até mesmo para um adulto. Chegamos então à conclusão de que o Garotão precisava reduzir a carga de terapias.
Então, conversando com a neuropediatra, estaremos começando um novo caminho, uma nova rotina, uma nova etapa, uma nova linha de tratamento. Vamos tentar a terapia domiciliar.

Estamos na expectativa de que o Garotão consiga pelo menos brincar. Desde o 1º ano do Ensino Fundamental, o Garotão só tem um dia na semana pra brincar livremente, sem qualquer orientação. Só tem a noite para fazer as tarefas de casa, e as atividades “Para Casa” só tem a aumentar com o tempo. Além disso, a infância não volta mais. Poder montar, brincar na areia, fazer amigos... Isso é o mais importante na vida!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Criança agride estagiária em CMEI

"Eu só estava o protegendo quando ele me mordeu", diz a estagiária.

Essa poderia ter sido a manchete do jornal da minha cidade há um mês atrás se os envolvidos nessa situação não estivessem comprometidos com a real inclusão. Eu nem ia relatar o fato,  mas o que aconteceu há duas semanas na cidade de Belo Horizonte de acordo com essa noticia (Clicar aqui) me fez mudar de ideia. 

Era uma segunda-feira e fui buscar a duplinha na escola. Primeiro peguei a Princesa (1 ano 5 meses) e depois fui buscar o Garotão  - 5 anos 3 meses - (meu esposo estava trabalhando). Ao chegar na sala,  tanto a professora como a estagiária queriam conversar.  Então relataram que após a aula de educação física,  o Garotão mordeu a estagiária. A estagiária entrou em detalhes.  Segundo ela, o pátio estava mais cheio que o normal. Na hora de entrar, uma criança "trombou" com ele. O Garotão tentou se bater e ela tentou segurá-lo. Foi aí que ele a mordeu.  Ela então me disse que achava que a reação dele foi por causa do pátio cheio, da trombada e por ela ser nova. Foi então que conversei com ela, com a professora e ensinei a forma de contê-lo sem que ninguém se machucasse. À tarde,  levei o Garotão na psicóloga que também conversou com ele.

Num debate em um programa de televisão sobre o caso divulgado pela mídia,  uma pergunta me chamou a atenção: " se o professor apanha de uma criança,  só porque ela é autista, esse professor tem que sorrir?"

A minha resposta é: o professor pode escolher sorrir,  mas antes disso,  posso dar algumas dicas baseada na forma excelente como a estagiária que cuida do Garotão se saiu:
- Conheça o transtorno/deficiência com a qual está trabalhando.  Ninguém é obrigado a saber tudo.  Mas, no momento em que a situação se apresenta, nós temos condições de buscar o conhecimento.
- Tenha um bom relacionamento com a família.  Se abra para ouvir a família, experiências,  dúvidas,  críticas e sugestões.  Se você os escuta, a família também vai escutar e te compreender.  E jogará no mesmo time que você.
- Conheça bem o seu aluno. Faça padrões de rotina e relacione à suas reações.  Pode ajudar a evitar o extremo,  como a agressão.
- Procure entender o que está acontecendo:  isso diminui o reflexo de reagir contra a criança e aumenta a empatia.
- E, não se abstenha. Sabemos que a inclusão proposta pelo Estado não é a ideal, mas a família e, principalmente a criança,  não são culpados disso.  Lute junto.  Abrace a causa... mas não despeje suas frustrações sobre a criança.
Não seja a manchete ruim. Seja a melhor marca na vida dessas famílias,  que irão sempre lembrar de você com muita saudade e lágrimas nos olhos por terem sido amados

"Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos." 1 Tessalonicenses 5:15

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Evolução das Birras



Uma das grandes dificuldades do nosso Garotão (3 anos 6 meses) é lidar com sua própria frustração. Quando começamos a perceber que algo não ia bem com ele, a forma como ele expressava sua frustração era o que mais chamava atenção. Geralmente ele dava cabeçadas no chão, ou em qualquer lugar que estivesse perto.

Lembro muito bem como tivemos que aprender a contê-lo. Foi muito triste para nós sabermos que precisávamos segurar de uma forma tão dura... Mas, queríamos que, em meio às crises de birra (ele batia cabeça batia o qualquer parte do corpo em qualquer lugar) ele se sentisse amado. Então pegávamos, o abraçávamos por trás, segurávamos as suas mãozinhas cruzadas sobre o corpo e segurávamos a sua cabeça com nossa própria cabeça, enquanto dizíamos: “Mamãe (ou papai) te ama!”

E, estamos em plena evolução. Já passou da cabeçada no chão para o tapa. Quando ele começou com os tapas direcionados para nós, ficamos felizes. Parece contraditório, né? Mas, para nós era uma vitória, já que ele diminuía a quantidade de vezes que se auto-agredia.

E, agora, a grande novidade. Com os tapas, temos ensinado ao Garotão que quando ele estiver frustrado, com raiva, ele pode gritar, pode chorar... e então... quando ele se frustra, a gente escuta: “aiaiaiaiai!”. A gente tem vontade de rir, porque ele fala de uma forma muito fofa, e ficamos muito felizes porque esse “aiaiaiaiai” tem substituído muitos tapas...

Ele ainda se bate. Sim, se bate, mas com menos força, e em menor quantidade de vezes. Ele ainda nos bate. Ainda bate, e, às vezes ataca diretamente a barriga (isso machuca tanto o coração!), mas conseguimos dizer: “grita, filho, grita!”, e não bate mais indefinidamente, até passar a raiva. E, agora, o Garotão diz “aiaiaiai”...
É gostoso ver como ele cresce, não é?

Eu te louvarei, de todo o meu coração; na presença dos deuses a ti cantarei louvores.
Inclinar-me-ei para o teu santo templo, e louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome.
No dia em que eu clamei, me escutaste; e alentaste com força a minha alma.
Todos os reis da terra te louvarão, ó SENHOR, quando ouvirem as palavras da tua boca;
E cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR.
Ainda que o SENHOR é excelso, atenta todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe.
Andando eu no meio da angústia, tu me reviverás; estenderás a tua mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salvará.
O SENHOR aperfeiçoará o que me toca; a tua benignidade, ó SENHOR, dura para sempre; não desampares as obras das tuas mãos. 
Salmos 138:1-8

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Enfim, mais lutas



Quando parece que as coisas vão melhorar... nem sempre elas melhoram. Fiquei um tempão afastada do blog porque tinha que terminar o meu trabalho da pós. Só que, durante esse tempo de trabalho, nosso Garotão ficou extremamente birrento, agressivo, resmungão... eu não estava acreditando.

Nem mesmo as brincadeiras estavam rendendo. Nem brincar de contar de 1 a 60, nem falar o alfabeto... se errasse a ordem, desencadeava uma crise tão grande que desanimava brincar de novo.

Lembram-se do que postei em agosto?Pois é, meu filho conseguiu ficar ainda pior. Só que era apenas em casa. Perguntei na escola se houve alguma mudança, mas parece que essa mudança era só em casa. Na terapia com a psicóloga, conversei com ela... pensei que pudesse ser a mudança dequarto, ou os remédios da gripe que ele teve... mas a psicóloga estava achando que como durante a gripe, ficamos em cima dele, talvez ele estivesse sentindo falta do mimo.

Passamos umas duas semanas assim, brigas, birras, agressividade... tenso, tenso, tenso. Mas, foi só acabar o meu trabalho que o nosso Garotão foi diminuindo as birras... e eu achando que poderíamos voltar a viver como uma família tranquila, nosso garotão voltou a dar febre.

É, foram duas semanas muito tensas. Mas, hoje, eu posso dizer que estamos bem melhor como família. Estamos conseguindo novamente brincar, cantar e até jogar futebol (nosso garotão começou a chutar bola!)!!!!!!!!!!!!!!!!!