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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O Menino Invisível


Era uma vez um Garoto que gostava muito de brincar no parquinho do condomínio. Ele tinha seis anos e curtia correr, brincar de areia e pular no trepa-trepa. Mas sempre brincava sozinho. Algumas vezes, conseguia brincar com a mãe e com a irmã.
No Dia das Crianças, a mãe levou ele e a irmã pra brincar no parquinho que ele tanto gostava e levou os baldinhos de praia para eles brincarem na areia. O parquinho estava cheio de crianças. A irmã logo encontrou umas amiguinhas e brincou com elas. O menino, correu, sozinho, do jeito que gostava, até cansar e depois se sentou para brincar com os baldinhos de areia.
Logo que ele se sentou, muitas crianças se aproximaram dos brinquedos e se dirigiram a mãe do menino: “posso brincar com os brinquedos?” A mãe sugeriu: “pergunte ao menino!” Afinal, o menino é capaz de ouvir e responder perguntas.
As crianças perguntaram e o menino respondeu: “não!”. Mas o menino era invisível. Não ouviram o seu não. Ele não estava ali para aquelas crianças. As crianças simplesmente pegaram os brinquedos e levaram para longe dele, onde pudessem brincar. Nem ao menos o convidaram. Simplesmente levaram longe.
E, novamente, o menino invisível ficou ali, sentado sozinho, sem que nenhuma criança se aproximasse novamente. Então, o menino invisível chamou sua mãe para ajuda-lo com o bolo que ele estava fazendo. E, a mãe foi lá, para brincar com ele. Foi por pouco tempo, porque logo o menino invisível voltou a correr, como ele gosta.
A mãe do menino invisível foi buscar os brinquedos para guardar. Chamou a atenção das crianças: “vocês pediram a ele se podiam trazer os brinquedos  pra cá?” “Vocês acham legal o que fizeram?” “Vocês gostariam que pegassem seus brinquedos mesmo vocês não querendo?” “Porque vocês não o chamaram pra brincar com vocês?”
As crianças não responderam. Eram todas da idade aproximada do menino invisível. A mãe recolheu o brinquedo e em seu coração torcia para que o Menino Invisível não tenha se sentido tão Invisível assim.
É, esse foi o Dia das Crianças do Garotão. O menino invisível.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quando ofendem o seu filho



"Pois homens dizem calúnias contra mim, e falam mentiras a meu respeito. Eles podem fazer-me mal; porém, tu, ó Senhor, me abençoas." (Salmos 109: 2, 28a)

É, fiquei triste, muito triste. Fomos ao parquinho com o meu filho e chamaram o meu filho de “burro”. Foi uma outra criança, talvez de uns 8 a 10 anos. Não digo que ofendeu o meu filho, porque não tenho a menor ideia do quanto ele entendeu, ou do quanto isso o machucou, mas eu fiquei profundamente revoltada.

Mas, vamos ao relato:
Descemos para o parquinho do condomínio pra brincar no fim da tarde. O Garotão ama simplesmente correr na areia, mas não interage com as crianças que estão ali também, simplesmente corre e chama a mamãe quando precisa de ajuda ou companhia.

Nesse dia, o Garotão (3 anos 7 meses) estava correndo pela areia e o garoto se aproximou pra perguntar alguma coisa. Deixei para ver como o nosso Garotão iria reagir a essa aproximação. Fiquei olhando, observando de longe. Com a aproximação, nosso Garotão tentou se afastar, recusava qualquer forma de aproximação do garoto. Então, eu ouvi: “Seu burro! Aquela bicicleta vermelha é sua?”

Fiquei triste, revoltada. O Garotão veio pra mim, olhei para o garoto com a cara mais feia que consegui e o garoto veio me perguntar se a bicicleta era nossa. Não falei nada com esse garoto, apenas olhei e pensei um monte de coisas.

Primeiro, por mais revoltada que eu estivesse, não consegui culpar essa criança por essa reação. Fiquei pensando se por um acaso não é assim que ele é tratado em casa? Se ele não sabe a resposta, será que ele não é chamado da mesma forma? Será que ele não conhece o diferente e não sabe lidar com isso? E, será que esse garoto não sabe lidar com carinho com outras crianças menores?

E, uma outra coisa: como eu queria saber o que é que se passou no coraçãozinho do meu filho quando esse garoto o tratou assim... queria ter uma bolinha de cristal só pra saber se ele ficou chateado ou não...