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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Primeiro dia de Aula 2016 - A Expectativa


“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.”
Filipenses 4:6
Gente, estou em ponto de explosão de ansiedade. Hoje é o primeiro dia de aula do Garotão no Ensino Fundamental!!!
Sim, também é o primeiro dia de aula da Princesa... Mas, engraçado como estou tranquila com ela. Aliás, ela já foi pra aula cedo, muito tranquila, empolgada e muito feliz de rever os coleguinhas... A turma é praticamente a mesma, a professora é a mesma, a sala é a mesma... E, ao deixa-la na sala, ela entrou tranquilamente, e foi direto para os brinquedos...
Agora, quanto ao Garotão estamos bem apreensivos. Primeiro ano do Ensino Fundamental: escola (mais ou menos) nova, rotina nova, apenas um amiguinho que já se conhecem de tempos passados. Nossos medos? Um monte!
Será que ele vai entender a nova escola? Será que ele vai gostar da professora? Será que teremos já a estagiária? Será que ele vai conseguir se adaptar à nova rotina? Como serão os novos coleguinhas? Como será que ele vai reagir a tudo isso? Será que ele vai ter crise? Será que...
É muita, muita ansiedade pros nossos corações!
O Garotão parece bem tranquilo. Não tem demonstrado ansiedade. Aceitou bem o fato de que a irmã foi pra escola de manhã e que ele foi pra terapia. Também falou de manhã que ele vai à tarde pra escola nova. A única confusão que ele faz é que ele diz que vai pro Grupo VI (já que no ano passado ele era grupo V) e não para o 1º Ano. Mas acho que em breve ele vai conseguir acertar isso.
Então, faltam menos de 5 horas para a estreia do Garotão no Ensino Fundamental!!!


PS: sei que estou devendo um relato ainda de 2015. Mas esse relato tem sido escrito e reescrito... afinal, é muito mais que uma visão, mas uma reflexão... não desanimem. Logo vem o relato (muito atrasado) da apresentação de Natal!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A Escola para 2016


Pendências 2015
Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
Salmos 40:4


Uma das nossas maiores ansiedades de 2015 para 2016 era a escola que o Garotão iria cursar o Ensino Fundamental. O nosso alvo era conciliar qualidade, proximidade, valor e, principalmente, inclusão.
A nossa primeira opção era uma escola onde o Garotão já faz o atendimento contra-turno. Como não era tão perto da nossa casa, então isso seria um fator a se pensar. Tínhamos uma escola pública mais perto, mas nessa outra a inclusão é mais efetiva. O nosso plano B era uma escola particular, mas contei aqui o quanto não seríamos bem recebidos. Para que a inclusão fosse real, acho que nossa luta iria se quadruplicar. Ou, se de tudo, não desse certo e o embate fosse terrível, iríamos mesmo para a escola pública mais próxima, e nossa luta seria elevada a milésima potência.
Recebemos muitos conselhos de amigos para conseguirmos a vaga na escola que queríamos. E, o conselho mais repetido era que devíamos “dar um jeitinho” de conseguir um comprovante inverídico, que garantiria a matrícula de nosso filho (ou seja, mentira, corrupção pouca pode, né?).
E, pra facilitar a nossa vida (#ironiamodeon) só saberíamos ou não se tínhamos a nossa vaga garantida nessa escola no dia 15 de dezembro. Ou seja, ficamos muito, muito tempo sem poder tomar qualquer decisão até mesmo em relação aos horários da terapia para 2016.
Até que, no dia 15 de dezembro, recebemos o documento que nos assegurava que nosso filho tinha a vaga na escola que queríamos. Ficamos muito felizes e agradecemos a Deus por nos conceder essa vaga onde tanto esperávamos.
Então, fomos alegres e sorridentes fazer a matrícula: reuni todos os documentos pedidos, coloquei no envelope e levei para a secretaria. Quando a secretária abriu e viu a papelada, disse que havia um problema e que não poderia fazer a matrícula. Foi como se um buraco tivesse sido aberto sob meus pés. Argumentei com a secretária, mas ela disse que não poderia fazer nada. Não nego que fiquei apavorada. Expliquei que o meu filho já tinha matrícula na escola devido ao contra turno. E, que não tinha outra opção. Assim, ela me encaminhou para conversar com o diretor.
A conversa foi tensa: o diretor alegou que havia sido denunciado por “dar” vagas para amigos e que estava sofrendo muita pressão. O fato denunciado era falso, mas mesmo assim, ele continuava sob marcação cerrada. Então, só após uma boa conversa com a Secretaria de Educação, eles receberam o meu filho (Em tempo: a lei garante prioridade a crianças especiais. Como não havia outras crianças com necessidades especiais solicitando vaga para o mesmo ano, meu filho podia ser matriculado na escola dentro da legalidade).
Após esse momento de tensão, veio o alívio: meu filho foi matriculado.
E, o diretor me deu um puxão de orelha: se todos cobrassem das escolas próximas do jeito que ele é cobrado, os problemas seriam menores. Mas, geralmente optamos (como eu) pelo caminho mais simples: uma escola pública mais distante ou uma escola particular... complicado, não?
E, o alívio de não “dar um jeitinho” e usar de meios errados pra conseguir a vaga. Se tivéssemos seguido esse mau conselho, não teríamos passado pelo susto; mas se fôssemos denunciados, não sei o que poderia acontecer... E, além disso, o que estaríamos ensinando aos nossos filhos?



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Formatura do Garotão – Expectativa

Ponde-vos também agora aqui, e vede esta grande coisa que o Senhor vai fazer diante dos vossos olhos.
1 Samuel 12:16

Estou aqui pensando... hoje é a festa da formatura do Garotão. Tem uma semana que estou com o coração entre festa e nostalgia.
Festa, porque o Garotão está concluindo a Educação Infantil. Apesar de que alguns dizerem que é exagero uma festa de formatura porque eles não estão se formando em nada, mas,  na verdade é o fechamento de um ciclo e um marco na vida escolar. Garotão encerra o Ensino Infantil lendo e escrevendo. Alfabetizado antes de entrar no Primeiro Ano. E isso é um grande passo e deve ser comemorado.

Nostalgia, porque hoje vem à memória tudo o que passamos no CMEI. Desde a suspeita de que algo não estava bem com o Garotão, até todos os esforços e relatórios até o diagnóstico. Depois, a busca pela melhor estratégia de inclusão e a luta pelo mediador. O caminhar junto a cada professor, auxiliar, estagiária, secretária, coordenadoras de turno e a diretora... como cada um que nos acompanhou em nossa caminhada . Então, bate a saudade de cada um desses momentos.


Estou ansiosa para ver como vai ser a festinha. Uma coisa eu tenho certeza, vou chorar muito, de alegria, de ver que apesar de tudo, o Garotão está crescendo, e que o futuro dele será brilhante!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Educação Inclusiva nas Escolas Particulares



O ano de 2015 está acabando e o nosso Garotão está saindo da Educação Infantil e segue agora para o Ensino Fundamental. Um grande passo, mas que veio com um novo desafio: a escolha da escola de Ensino Fundamental. A nossa primeira proposta é ir para a escola onde o Garotão é atendido no contra-turno. Mas, sabemos que esse plano não é garantido. Então, meu marido e eu fomos conhecer as escolas particulares mais próximas para elaborarmos um “Plano B”.  Eu sabia que não ia ser fácil, mas não sabia que seria tão difícil... Foram 5 escolas mais próximas e decepção com todas elas...

Não ligamos para nenhuma delas para agendar visitas, simplesmente aparecemos. Nosso contato primário foi com um funcionário da secretaria, e para todos já avisamos que nosso filho era autista e que precisava de acompanhamento individualizado.
Nenhum dos funcionários que foram nossos primeiros contatos respondiam sobre a questão da inclusão. Diziam que somente o pedagogo poderia responder as nossas perguntas e então, precisaríamos agendar um horário com esse profissional para sanar nossas dúvidas. Então, fazíamos perguntas como de sondagem para esses profissionais para tentar perceber o que eles sentiam em relação à inclusão, porque, no meu pensamento, se a educação inclusiva é política da escola, acredito que mesmo que as melhores informações sejam através do pedagogo, o pensamento desse primeiro profissional poderia dar uma visão do que a escola já viveu em relação a isso.

A primeira escola que visitamos foi ainda no ano passado. Conseguimos conversar imediatamente com a pedagoga. Mas, apesar de dizer que a escola já tinha tido alunos autistas (parecia que apenas um), ela não sabia como funcionaria se tivesse que ter acompanhamento individualizado. Não tivemos nenhuma informação mais sobre inclusão.

Eu tinha uma baita expectativa quanto à segunda escola que visitamos. Já escutamos relatos de alguns alunos autistas matriculados lá e até de funcionários. No primeiro contato para visita, a funcionária disse que teríamos que conversar com a pedagoga, mas que o ideal era conversar com a diretora, que era especialista em Educação Especial. Fiquei empolgada. Então, fiquei esperando um telefonema agendando um horário com essa pedagoga. Infelizmente, dias depois recebi o telefonema dizendo que a escola não tinha mais vaga para crianças especiais (Não sei se eles tem respaldo quanto a isso, ou se caberia uma denúncia, mas imagina enfiar o seu filho “goela abaixo” numa escola? Não me sentiria segura em deixa-lo lá sem minha presença... vai saber? Não gosto de climão...)

A terceira escola é uma escola pequena, bem perto de casa. Mas, a funcionária não sabia falar nada sobre educação inclusiva. Não sabia se já teve alunos e que só a pedagoga poderia explicar o que eu queria.

A quarta e quinta escolas que visitamos são de grandes redes de ensino. Aí, eu sinceramente esperava que a experiência com crianças especiais seria maior. Vamos lá.

A funcionária da quarta escola era novata. Nos apresentou as mensalidades e quando perguntamos sobre “inclusão e autismo” ela chamou uma funcionária mais experiente. Fiquei feliz e esperando que tivesse algumas informações sobre a política de inclusão da escola. Então, essa funcionária me chega cheia de apostilas e me fala que essas eram as apostilas que usavam. Eu tentando entender o que os livros tinham a ver com a inclusão (eu achava que o material didático era especial, ou coisa assim), aí descobri que ela tinha entendido “livros” ao invés de “autismo”. Eu e meu marido rimos baixinho. Então, a funcionária disse que somente a pedagoga poderia conversar conosco e ficou de agendar um horário para conversarmos. Tentei uma nova sondagem e ela respondeu que eles tinham alunos autistas. Aí, soltei: “é que meu filho precisa de acompanhamento individualizado”. A funcionária respondeu prontamente: “A gente não trabalha com isso aqui.” Bom, já tem quase um mês e ainda não recebi o telefonema agendando com a pedagoga pra eu tirar as minhas dúvidas.

A quinta escola também foi quase a mesma coisa, mas tive um sinal de esperança. Quem nos apresentou a escola foi a coordenadora de turno, e não uma funcionária da secretaria. Vi num painel um cartaz sobre educação especial. Então perguntei como era que a escola funcionava a educação especial. A coordenadora disse que já tiveram alunos especiais e que a turma poderia ter um estagiário caso a turma atingisse um certo número de alunos. Então, acendeu uma luzinha de esperança. E, para aumentar ainda mais a minha pontuação com a escola, naquela mesma tarde, a pedagoga me ligou. Então levei um balde de água fria: a escola não trabalha com acompanhamento individualizado. E, ainda questionou porque eu estava tirando o meu filho da escola pública. Depois encerrou a conversa dizendo: “nenhuma escola particular dará ao seu filho o atendimento que ele tem na escola pública. Ele está muito bem amparado onde está.”

Triste, né? Pelo que eu percebo, crianças especiais não são público alvo para as escolas particulares. Não somos alvos de propagandas. São cinco, seis escolas particulares fazendo suas propagandas na televisão e até agora, não vi nenhuma chamada com nenhuma notinha sobre inclusão. As vantagens que as nossas crianças teriam nessas escolas não são divulgadas como pontos positivos. Se a incidência de autismo na população é de menos de 1/100, todas as escolas com mais de 100 alunos deveriam ter pelo menos um aluno especial. Mas, a sensação que temos é que não somos desejados como clientes desse mercado. E, pelo que vejo em reportagens, para que tenhamos qualquer direito garantido, processos e advogados parecem ingredientes imprescindíveis.
Temos mais escolas nas proximidades, mas vou dar um tempo. Vou esperar. Meu filho tem vaga garantida numa escola pública, e junto com ele vou lutar pela qualidade dessa escola, como lutamos pelo CMEI. Sei que o “Governo” tem obrigação de oferecer aquilo que lhe é de direito e pelo que percebo, as escolas particulares se refugiaram nessa premissa. Ou seja: se o governo não dá, também não daremos.
E, aguardamos ansiosamente a hora da matrícula: o que nos espera em 2016?


“Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. E nem onde o Garotão há de estudar. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário e o Garotão mais que a escola?”

Paráfrase Mateus 6:25

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Parabéns, Querido Professor!


"Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,
Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
Pela vossa cooperação no crescimento do Garotão desde o primeiro dia até agora.
Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;
Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas nossas lutas como nas nossas vitórias.
Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.
E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento."
Paráfrase Filipenses 1:3-9

Hoje comemoramos o Dia do Professor. E eu queria fazer uma homenagem a todas as professoras que curtiram e aprenderam com o meu Garotão. Esse ano ele encerra o seu primeiro ciclo na escola, o ensino infantil. No ano seguinte, estará iniciando o ensino fundamental, já lendo, escrevendo, graças a Deus pelos anjos que proporcionaram todo esse crescimento pra gente.
Primeiro, Tia Tânia e Tia Adelma... que foram as primeiras a conviverem com o Garotão. Nos ajudaram na sua primeira adaptação na escola, e nos ajudaram muito no diagnóstico: reuniões, relatórios, vídeos... ufa, foi muito trabalho! Vocês estiveram ao nosso lado, nos apoiaram nessa fase tão difícil, de adaptação e diagnóstico.
Depois, a Tia Adelma continuou com o Garotão e veio a Tia Tatiana e a Tia Rose. Foram apresentadas a um novo desafio, e essas mulheres incríveis presenciaram a primeira vez que o Garotão falou em sala de aula (Contei aqui ). Foram parceiras, amigas, presentes... Fantásticas. Paralelamente, tia Sirlene, no contra-turno, dando todo o apoio necessário para o desenvolvimento do Garotão.
Ano seguinte, veio a Tia Kátia, Tia Narjara e a Tia Rose, seguiu com o Garotão e elas presenciaram mais um salto espetacular: um Garotão que nem ao menos gostava de pegar um lápis, resolveu escrever, copiar uma palavrinha (Conteiaqui
 ). E, no contra-turno, Garotão contava com duas professoras: Tia Luzia e Tia Andreia.
Depois veio a mudança de turno e dois novos anjos surgiram em nossa vida: Tia Hociene e a “outra” Tia Rose, nossa resposta de oração (Contei aqui ). Como não se emocionar ao relembrar o empenho em ajudar e presenciar o milagre do início da leitura?  (Contei aqui). E, no trabalho do contra-turno, tínhamos a Tia Márcia...
E, esse ano, encerrando todo o ciclo do ensino infantil, Tia Eliana, Tia Val, Tia Lu... Cada dia mais próximas, estimulando o Garotão, agora na elaboração e interpretação de textos, no desenvolvimento da escrita, lidando com números e contas... E a Tia Sirleide intensamente no contra-turno.
A todas vocês, meu muito obrigada! Meu reconhecimento pelo trabalho diário, pela pesquisa interminável, pelas lágrimas de choro e de alegria... Sei que não é fácil, mas vocês são presentes de Deus na vida do Garotão.
Queria poder abraçar a todas vocês todos os anos nesse dia especial, então, eu deixo esse abraço virtual pra vocês!
Parabéns pelo dia dos professores!


domingo, 10 de maio de 2015

Dia das Mães: Um pedido


SENHOR, a Ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos à minha voz, quando a Ti clamar. Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde.
Salmos 141:1,2


Hoje é dia das mães (10.05.2015)  e muitas estão recebendo presentes de maridos e filhos... Eu também recebi presentes lindos do marido, Garotão e da Princesa e também presenteei a minha mãe, e meu marido também presenteou a mãe dele.
Mas, eu queria hoje fazer alguns pedidos especiais... afinal, ser mãe não é fácil, mas mãe de uma criança que tem necessidades específicas é um desafio ainda maior...
Se eu pudesse fazer uma lista de pedidos, apenas para as mães especiais, eu pediria:

- Que todas tenham o direito de ver seu filho matriculado na instituição adequada para o seu filho: sem precisar brigar, sem precisar acionar Ministério Público, sem advogados. Já é desafiador acompanhar o desenvolvimento escolar da criança, e ainda precisar gastar a energia para ver os direitos atendidos: filas, salas de esperas, telefonemas, enquanto às vezes, do próprio lado, a criança está tendo crises e a mãe tem que administrar tudo ao mesmo tempo. Que, se for educação inclusiva, que seja real. Que se for especial, que atenda a criança perfeitamente.

- Que todas possam ver seus filhos tendo as terapias necessárias para seu desenvolvimento integral, de preferência, garantido pelo Estado: é cruel a luta que a mãe passa para garantir que seu filho tenha pelo menos um atendimento terapêutico. É quase a mesma luta pela educação. Muitas vezes a mãe passa mais tempo brigando pela terapia do que a criança aproveitando os recursos dela. A luta já começa para conseguir um laudo (médicos que vivem ignorando os sinais que as mães relatam em seus consultórios). Quantas mães precisam ser mais terapeutas do que mãe para garantir o melhor desenvolvimento do seu filho? Não que a mãe não deva conhecer os tratamentos a fundo, mas porque muitas vezes os filhos não são atendidos dignamente, então, ela acaba chegando à conclusão de que é melhor que ela mesma trate o filho em casa do que submetê-lo a um sistema de saúde que irá apenas desgastá-los
- Que todas possam ter o direito de escolher se vão ou não trabalhar fora: muitas mães adorariam ter um tempo maior com seus filhos especiais, levando-os às terapias, cuidando deles de forma mais presente, mas não podem fazer essa escolha, pois se deixarem de trabalhar, eles não terão como bancar financeiramente  tudo aquilo que o filho precisa para uma vida digna: escola, médicos, remédios e terapias. É, existe um valor direcionado para as pessoas com deficiência. Mas, é vergonhoso. Não, não cobre o quanto essa criança ‘gasta’ em terapias, já que o próprio governo não garante isso. E, essa mesma mãe que precisa trabalhar, não tem onde deixar essa criança. Não existe um sistema integral, não há como passar o dia inteiro trabalhando e levar essa criança para ter o tratamento que ela precisa.
- Que todas tenham direito a um acompanhamento psicológico: toda mãe especial precisa de um acompanhamento terapêutico. A  mãe precisa estar equilibrada para lidar com os desafios que a sua criança apresenta. Se essa mãe não tem como bancar o tratamento do filho, dificilmente ela irá buscar atendimento para si mesma. Como dizem por aí, é necessário por a máscara de oxigênio primeiro, antes de atender o outro. Se uma mãe naturalmente se doa integralmente, esquecendo-se de si mesma, imagina então, uma mãe especial. Essa mãe não vê limite em si mesma, ela vai até o fim para fazer o melhor para o seu filho. Resultado? Mães com depressão, sem visão de futuro, pensando: “será que a minha vida e a da minha criança vale a pena?”
- Que todas possam ser integralmente... Mães! – Nós, mães especiais, acabamos nos envolvendo tanto com os problemas que nossos filhos enfrentam (não relaciono os específicos dos transtornos, como o autismo) que viramos advogadas – já que nossos direitos não são garantidos, e então sobra para nós irmos aos órgãos públicos lutar por eles, - médicas – já que conseguir vaga com um médico especialista é tão difícil que acabamos por nós mesmas estudando e até mesmo diagnosticando os nossos filhos,  - terapeutas – tratamos nossos filhos em casa mesmo, -e  professoras – já que a inclusão é quase uma ilusão – que quase não temos tempo para sermos mães. Não nos sobra tempo para brincar, para ir na onda deles, para viver a maternidade.
A todas as mães, um grande abraço!
E, que mesmo em meio a tantas lutas, e às vezes, tão poucas vitórias, vocês possam ver nos olhos que nem sempre nos olham, a razão de sermos, simplesmente, mas integralmente...


MÃES!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Esforçai-vos, trabalhai...


Esforça-te, todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos.
Ageu 2:4

É incrível como a luta pela inclusão é incessante. Desde o início do diagnóstico, parece que a inclusão escolar, apesar de um direito garantido por lei, com todas as condições para que seja efetiva só é conseguida em meio à muita, muita luta.
No dia 05 último (05/05/2015), acabou o contrato da estagiária e, para nossa tristeza, mas infelizmente, sem surpresa, a prefeitura não enviou a estagiária que prosseguiria o trabalho com o Garotão e com o coleguinha de sala que também é autista. Então, a professora do Garotão nos chamou para uma reunião e nos expôs de forma oficial a situação, com registro em ata e tudo.
Voltamos então para o campo de batalha, repetindo todo o processo do ano anterior, mas dessa vez, acionamos mais rápido os órgãos responsáveis.
Às oito da manhã liguei para o setor de Educação Especial da Secretaria de Educação da minha cidade. A resposta que recebi era que eu teria que esperar mesmo. Argumentei que eles estavam descumprindo a TAC – Termo de Ajuste de Conduta (que tirou o acompanhamento individualizado do Garotão ) e me replicaram que o déficit era de 100 profissionais. Ou seja, no mínimo 100 crianças sem o atendimento determinado pela TAC!!!
Depois, o meu esposo foi até a Secretaria de Educação pessoalmente cobrar uma posição do setor de contratação. Esses alegaram que só daí 30 a 60 dias. Como??? Foi avisado com mais de 30 dias de antecedência o fim do contrato da estagiária! Então, responderam que só poderiam iniciar o processo de contratação ao fim do contrato da estagiária.
Com essa resposta, meu esposo foi direto ao Ministério Público, que na hora, incluiu o nome dele numa ação civil pública. E, o próprio Ministério Público confirmou a informação de que  há pelo menos 200 crianças especiais sem o acompanhamento determinado legalmente.
Mas, antes mesmo do meu esposo chegar em casa, a diretora da escola do Garotão ligou avisando: Já contrataram  a nova estagiária para o Garotão!
Sim, a luta é árdua, Deus é por nós, e Deus nos  diz para trabalhar, para nos esforçar porque Ele é conosco.

O que mais me surpreendeu nessa luta de ontem, não foi o descaso da prefeitura em relação à educação especial, mas saber que há cerca de 200 crianças esperando o acompanhamento especializado. Nós, famílias de crianças de necessidades especiais precisamos nos unir! Precisamos lutar juntas! Se todos nós, 200 famílias especiais, nos uníssemos nessa luta, conjuntamente, seja por manifestação, seja fechando a BR, será que não faríamos a diferença?
Precisamos trabalhar! Precisamos nos esforçar! Precisamos nos levantar e lutar! O Senhor dos Exércitos está ao nosso lado!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Tia Rose, Resposta de Oração


Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:
Efésios 1:16

Há algumas semanas atrás,  a Tia Rose, a resposta de oração para nosso Garotão (aqui contei como foi esse emocionante momento ), deixou de trabalhar com ele devido a uma TAC entre a prefeitura e o Ministério Público (contei aqui). E, com a luta, acabei não passando aqui pra deixar nossa Gratidão.
Tia Rose: quero aqui, novamente te agradecer por todo carinho e apoio ao Garotão. Te agradecer, principalmente, por ser resposta as nossas orações, às orações do Garotão. Muito obrigada por deixar Deus te usar.
Muito obrigada por ajudar ao Garotão a caminhar na alfabetização, na conquista da escrita e da letra cursiva. Obrigada por caminhar lado a lado conosco.
tia rose ti a mo

(Palavras escritas pelo Garotão)

sexta-feira, 6 de março de 2015

Primeiro dia de aula 2015



Todo início de ano letivo vem com a preocupação: como a duplinha irá encarar o início de mais um ano? Garotão, último ano de Educação Infantil. Princesa, segundo ano na escola, mas primeiro dia de aula junto com todas as crianças (Contei aqui que ela começou a estudar quase um mês depois do início do ano letivo ). E, meu coração batendo forte.
Saímos então de casa, andando com a dupla bem animada e ansiosa. Princesa ganhou uma mochila nova, de rodinhas, e fez toda a distância levando a mochila. Garotão, também animado. Chegamos na escolinha e mesmo com a apresentação tradicional com todos aglomerados no refeitório, os dois aguardaram com tranquilidade. Acabou a reunião, fomos levar cada um pra sua sala.
A Princesa ficou com a mesma professora e a mesma sala do ano passado. Chegou na porta da sala, foi entrando, pegou o cavalinho vermelho que adora e nem me deu tchau.
Garotão, sala nova e cadeiras em nova formação (em fila), professora nova e a mesma estagiária. E, o Garotão entrou com uma tranquilidade incrível.

E, assim, marido e eu saímos da escolinha boquiabertos. Meio sem saber o que falar e o que fazer. Afinal, achávamos que ficaríamos um tempão consolando a duplinha... mas que nada... Simplesmente, assim, ficaram.
Como essas crianças nos surpreendem, né? 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Criança agride estagiária em CMEI

"Eu só estava o protegendo quando ele me mordeu", diz a estagiária.

Essa poderia ter sido a manchete do jornal da minha cidade há um mês atrás se os envolvidos nessa situação não estivessem comprometidos com a real inclusão. Eu nem ia relatar o fato,  mas o que aconteceu há duas semanas na cidade de Belo Horizonte de acordo com essa noticia (Clicar aqui) me fez mudar de ideia. 

Era uma segunda-feira e fui buscar a duplinha na escola. Primeiro peguei a Princesa (1 ano 5 meses) e depois fui buscar o Garotão  - 5 anos 3 meses - (meu esposo estava trabalhando). Ao chegar na sala,  tanto a professora como a estagiária queriam conversar.  Então relataram que após a aula de educação física,  o Garotão mordeu a estagiária. A estagiária entrou em detalhes.  Segundo ela, o pátio estava mais cheio que o normal. Na hora de entrar, uma criança "trombou" com ele. O Garotão tentou se bater e ela tentou segurá-lo. Foi aí que ele a mordeu.  Ela então me disse que achava que a reação dele foi por causa do pátio cheio, da trombada e por ela ser nova. Foi então que conversei com ela, com a professora e ensinei a forma de contê-lo sem que ninguém se machucasse. À tarde,  levei o Garotão na psicóloga que também conversou com ele.

Num debate em um programa de televisão sobre o caso divulgado pela mídia,  uma pergunta me chamou a atenção: " se o professor apanha de uma criança,  só porque ela é autista, esse professor tem que sorrir?"

A minha resposta é: o professor pode escolher sorrir,  mas antes disso,  posso dar algumas dicas baseada na forma excelente como a estagiária que cuida do Garotão se saiu:
- Conheça o transtorno/deficiência com a qual está trabalhando.  Ninguém é obrigado a saber tudo.  Mas, no momento em que a situação se apresenta, nós temos condições de buscar o conhecimento.
- Tenha um bom relacionamento com a família.  Se abra para ouvir a família, experiências,  dúvidas,  críticas e sugestões.  Se você os escuta, a família também vai escutar e te compreender.  E jogará no mesmo time que você.
- Conheça bem o seu aluno. Faça padrões de rotina e relacione à suas reações.  Pode ajudar a evitar o extremo,  como a agressão.
- Procure entender o que está acontecendo:  isso diminui o reflexo de reagir contra a criança e aumenta a empatia.
- E, não se abstenha. Sabemos que a inclusão proposta pelo Estado não é a ideal, mas a família e, principalmente a criança,  não são culpados disso.  Lute junto.  Abrace a causa... mas não despeje suas frustrações sobre a criança.
Não seja a manchete ruim. Seja a melhor marca na vida dessas famílias,  que irão sempre lembrar de você com muita saudade e lágrimas nos olhos por terem sido amados

"Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos." 1 Tessalonicenses 5:15

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A outra "Tia Rose"

Sempre nos perguntamos quando o Garotão tomaria conhecimento de Deus.  Não o ensino de pai pra filho,  mas como é que ele teria experiência com Deus.  Sabemos que uma das características do autismo é a dificuldade de entender algo que não se pode ver... Como então explicar o Amor de Deus?

Em meio a todas as lutas pela nova estagiária,  nós não deixamos de buscar socorro no Senhor. E, claro,  convidamos e envolvemos o Garotão nessa luta.

Quando fui explicar pra ele como orar, eu disse pra ele pedir a Papai do Céu uma "outra Tia Rose". E passamos a semana orando essas palavras. Pois bem, quando chegamos na segunda feira, descobrimos que a nova estagiária tinha chegado. E ela se apresentou:
Rosemeri.

Eu fiquei boquiaberta com a forma concreta que Deus está se revelando ao Garotão. Sim, Deus quer ter um relacionamento pessoal com ele e está se apresentando de forma concreta. Como Jeová-Jire, o Deus que provê exatamente o que o Garotão precisa e exatamente o que ele pediu.

É lindo ver que o Garotão está tendo suas próprias experiências com Deus e que podemos ajudá-lo a se aproximar ainda mais.

Lutando pela nova estagiária

"Sei que o SENHOR sustentará a causa do oprimido, e o direito do necessitado." Sal. 140:12

Desde que acabou o contrato com a tia Rose,  o Garotão ficou sem uma mediadora. A escola enviou à administração da prefeitura a solicitação de um novo profissional 45 dias antes do fim do contrato. E, ainda assim, o Garotão ficou quase um mês sem a presença desse profissional.
Praticamente,  toda semana,  entrávamos em contato com o setor responsável pela educação especial e pela contratação, tanto nós pais,  como a professora e a diretora da escola. E, a cada telefonema, uma resposta diferente: " está na fila!" "Já está encaminhando", "liga semana que vem! " " ninguém quer assumir! ". E a resposta mudava de acordo com a pessoa que ligava.
Até que ocorreu um episódio que fez a professora dar um basta na situação: ela ameaçou não receber mais o Garotão em sala se não tivesse um profissional específico para ele.
Pirei. Tanto pelo meu filho (como explicar pra ele que a tia não queria ele na sala?) e pela professora (ela é ótima, gosto demais dela. Como ela pode fazer isso com ele???!  Recusar receber um aluno autista é crime!). Perguntei a ela se poderia dizer que ela tinha se recusado. Ela disse que estava se colocando na briga por ele, pelo meu filho.
Apesar de não entender a lógica dela, comprei a briga.  Sem sair da escola,  liguei pra prefeitura e contei a situação. E ainda liguei pra meu marido que estava embarcado pra ele tentar arranjar as coisas.
Foram muitas ligações no mesmo dia e nenhuma possibilidade.  Eu já estava achando que teria "barraco" na frente da escola no dia seguinte. ..
Passei na AMAES e recebi a orientação de ter tudo documentado por escrito. E, acho que nunca passei uma noite tão ansiosa.
Dia seguinte,  Garotão foi pra escola super animado. .. e foi correndo para a sala dele como de costume. E meu coração na boca: será que ela terá a coragem de barrar a entrada dele?
A professora não estava na sala,  era a professora de artes! Então,  não tivemos nenhum constrangimento.
Seguindo orientação da AMAES,  pedi para ela registrar a recusa dela no caderno dele. Resultado?  Todos os professores que lidam com ele registraram o risco pro Garotão e para as outras crianças caso ele fique sem um mediador. Com isso em mãos,  e ameaça de levar o caso ao Ministério Público,  a prefeitura enviou um representante para analisar o caso do Garotão e deslocou um profissional provisoriamente pra atender o Garotão.  E, em uma semana,  contrataram um novo profissional para ficar com o Garotão.
Tudo resolvido?  Para o Garotão, sim. Mas me preocupo com outras crianças.  Algumas frases me marcaram muito:
"A professora tem que receber a criança.  Ela é responsável pela inclusão e tem que dar conta. Outras professoras conseguem! "
Isso me preocupou muito. A inclusão é jogada em cima do professor sem que ele tenha condições de trabalho. O professor e os pais aceitam a situação e nem sempre tem noção se a inclusão está sendo realmente efetivada.
Se eu pudesse,  faria um apelo: Nunca abram mão de seus direitos em favor de ninguém.  Principalmente os direitos de nossas crianças especiais. Brigue,  acione o Ministério Público,  faça protestos e passeatas.  Não podemos é esperar sentados.
Nossos pequenos tem direito ao diagnóstico precoce,  ao tratamento gratuito e à educação realmente inclusiva. Se temos que lutar,  vamos nos unir e enfrentar! !!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Primeiro dia de aula – 2014


Pusestes em meu coração mais alegria do que quando abundam o trigo e o vinho.
Salmos 4:7
Hoje foi o primeiro dia de aula do Garotão (4 anos 8 meses). Nos anos anteriores (2011, 2012  e 2013  ) eu fui na escola antes do início das aulas, conhecer a salinha, as professoras e toda a equipe.
Esse ano, não sei o que deu em mim, simplesmente não fui. Pensei em fazer isso, mas na hora de ir à escola, marcar uma reunião, enfim, conversar bastante... Dessa vez, o tempo correu e a semana de início das aulas chegou. Corremos para comprar o material escolar (esse ano tem uma novidade: Garotão levará na mochila um caderno e um estojo com lápis, borracha... coisa mais fofa) e, quando piscamos o olho, chegou o dia 06 de fevereiro.
Esse ano veio com uma grande novidade: mudamos o horário de aula. Passamos o Garotão pra manhã, pra conseguirmos ajustar ao máximo as terapias em menos dias por semana. Assim, o primeiro dia de aula também foi adaptação pra nós papais.

Então, o primeiro desafio: colocar o Garotão para dormir cedo. Missão Impossível. Ele estava numa animação, numa eletricidade que não conseguia desligar. Dormiu super tarde. Segundo desafio: acordar cedo. Nós acordamos cedo, nos aprontamos e, depois disso, acordamos o Garotão. Terceiro desafio: enfrentar o mau humor dele. Que mau humor? Acordamos o Garotão, ele estava alerta, alegre, super empolgado com o fato de ir para a escola.

Quarto desafio: entrar na escola sem chorar. E, o Garotão é simplesmente um Garotão!!! Chegou tranquilo, esperou a abertura, as informações gerais e na hora de ir pra salinha... uma graça! Foi tranquilo, esperou o momento de entrar certinho, entrou na sala, sentou na cadeirinha e ficou esperando o que desse e viesse. E assim, nos despedimos do Garotão e voltamos para casa... Sem choro... muito lindo!!

Como hoje foi o primeiro dia, fomos buscá-lo uma hora e meia antes do horário normal... A Princesa estava ansiosa pra ver o irmão de novo. Nem precisei falar duas vezes: ela estava dormindo e foi só falar “Vamos buscar o Irmão?”, que ela deu um pulo do meu colo e se sentou.
Quando buscamos o Garotão, ele estava lindo, alegre, e voltamos animados pra casa.

A grande novidade foi saber que o Garotão tem um coleguinha autista na outra turma... estou ansiosa pra conhecer esse novo amiguinho do Garotão!!!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Educação Cristã Inclusiva


Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
Romanos 2:11
Viram a expressão que acabei de inventar (tipo, procurei no Google e só achei em uns dois ou três sites... hehehehe)? Sei que é estranho pensar que não temos inclusão nas igrejas. Sim, todos são bem-vindos em nossas igrejas, mas queremos mais! Não apenas recebê-los, mas deixar que tanto as pessoas com necessidades especiais como os seus pais se sintam à vontade e aproveitem por estar conosco. Pois é, no último post eu comentei sobre a reunião que tivemos do grupo de luta pelo direito dos autistas de nossa cidade, né?

Uma das surpresas que tive na reunião foi que todos nós que estávamos presentes somos pertencentes a uma igreja batista. Achei incrível inclusive o fato de vermos que mesmo assim nós não nos conhecíamos (nossa cidade não é tão grande assim...)

Então, um dos assuntos tratados foi como é ir com nossos filhos à igreja. Bom, o meu filho ainda é pequeno, só tem 4 anos. Então, o comportamento dele ainda não ‘incomoda’ muito. Mas os outros, são maiores, e segundo os pais, eles acabam atrapalhando o culto
Um dos pais até mesmo sugeriu que uma igreja fizesse um ‘culto para os pais de autistas’ para que nós pudéssemos cultuar sem atrapalhar os outros. Eu não gostei muito da ideia, porque isso nos tornaria ainda mais isolados dos outros (isso é apenas a minha opinião!). Mas, conheço outras mamães que simplesmente não vão à igreja com o filho autista porque simplesmente não dá... assim, acabam revezando pai x mãe e a família quase nunca está completa no culto.

Bom, o que fazer então?
A igreja onde eu era, nós tínhamos várias oportunidades de inclusão. Desde crianças com dificuldades motoras, como emocionais e cognitivas. E, nunca estávamos preparados para receber essas crianças de uma forma satisfatória. Mas algo era certo: oferecíamos o máximo de amor em nossos corações.

Quando descobrimos o autismo do nosso filho, até mesmo minha postura na igreja começou a mudar. Comecei a pensar uma forma de não apenas recebermos essas crianças, mas também oferecermos uma oportunidade de participação e aprendizado: disponibilizando um voluntários específico para elas e atividades que sejam compatíveis. E, começamos a receber mais crianças especiais. E, precisamos estudar mais.

Há uns três meses, mudamos de igreja. Nessa, chegamos informando da condição do nosso Garotão. E, a atenção foi imediata. A tentativa de integração e ensino também foi bem estimulada. Tanto que o Garotão entra na salinha, já dando beijo e tchau pra mamãe. Eles não tem algo específico direcionado para a inclusão, mas o meu filho é super bem recebido  e cuidado (e a Princesa também)

E, agora, quanto as crianças maiores? E os adultos com necessidades especiais? Como é que eles podem aproveitar mais?
E, fiquei com essa pergunta na cabeça e pensando em como oferecer o melhor para esses anjos que estão nos cercando. O que nossas igrejas podem oferecer de diferencial para recebermos com amor e mostrarmos amor a essa turma?
Será que um horário de culto específico seria legal?
Ou uma sala especial, com ensino voltado para essas necessidades?
E, eu gostaria de saber de vocês... Coloquem nos comentários. O que vocês acham que as igrejas poderiam fazer para receber melhor as pessoas com necessidades específicas?
Se você quiser compartilhar sua experiência, pode me enviar para:
Se você quiser, posso postar aqui no blog, ou você pode postar no seu blog, e nós estaremos compartilhando. Se quiser dar sugestões, ou se você trabalha com Educação Cristã e queira compartilhar sua experiência, fique à vontade!!!

Conto com a participação de vocês nesse post para construirmos um ambiente em que o Amor de Deus realmente resplandeça!!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Surpresas de um dia de chuva


Vindo sombras escuras nos caminhos teus
oh, não te desanimes, canta um hino a Deus!
Cada nuvem escura arco-íris traz
quando em teu coração reinar perfeita paz.
(Cantor Cristão, 229)

O tempo tem estado muito frio. Em plena primavera, uma frente fria chegou pra nos congelar. E, com ela, veio uma chuva forte e gelada.
Sempre vou buscar o Garotão na escola com a Princesa no sling. Como o tempo estava muito incerto, meu pai veio aqui em casa me oferecer ajuda. Uma nuvem bem escura estava em cima da gente prestes a desabar.
Foi só sair de casa que a chuva começou. Fiquei numa dúvida tremenda: ir ou não ir buscar o Garotão (4 anos 4 meses) com a Princesa (6 meses) no sling?
Peguei o guarda-chuva e decidimos ir.
E, a chuva cada vez mais forte, e com vento. Com um guarda-chuva (que nós carinhosamente apelidamos de Geroim) grande, tentava proteger a Princesa e meu pai. Chegamos na escola, e vi o meu Garotão de costas, olhando pra turma. E aí, veio a Professora e a Estagiária dizendo:
“Olha a surpresa do Garotão hoje!”
Vejam só!

Pois é! Garotão escreveu! E começou com uma palavra enorme! Já contei aqui o quanto a questão do registro era difícil pra ele,(VEJA AQUI e AQUI)  e chegar na escola e ver uma surpresa dessas... é de emocionar...
Fico pensando se eu tivesse desanimado de ir buscá-lo na chuvarada que deu. Se eu tivesse me acomodado e não ido. Teria perdido a oportunidade de ver em primeira mão essa novidade, essa surpresa.
Sim, mesmo desafios pequenos, como uma tarde de chuva, ou maiores, que talvez eu nem consiga citar aqui, podem esconder surpresas maravilhosas mandadas por Papai do Céu. Agora, ninguém nos segura em casa!!



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Conhecendo a professora de 2013



Permaneça o amor fraternal.
Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos. 
Hebreus 13:1-2

As aulas do Garotão (3anos 8 meses) começam dia 18 de fevereiro. Estou ansiosa pra saber como será esse ano. Eu tinha diversas dúvidas em minha cabeça e resolvi conversar com quem será a professora dele esse ano.

E, me apaixonei por ela. Ela é uma fofa. Parece tão linda, tão apaixonada pelo que faz, pela sua turminha... E, perguntei um monte de coisas pra ela.

Uma dúvida que eu tinha era sobre a escola mesmo, como seria a organização da salinha: Bom, a sala é ampla, de frente pro jardim, onde as crianças terão muitas atividade. As mesinhas agora serão maiores, serão individuais. Mas elas são de uma forma que podem ser organizadas tanto em fila, como em círculo (fica uma mesa meio redonda). Ainda tem tapete de EVA onde as crianças passarão o primeiro momento junto, o momento da rodinha, de troca de conversa. Terão pátio, mas agora o pátio grande, com muito espaço. Eles passarão mais tempo em sala, mas a professora está cheia de ideias incríveis que eu vou falar mais para frente. Ah, e a sala dele fica de frente para o banheiro (o que é perfeito para o desfralde, né?).

A salinha dele terá 18 alunos e pra eles, uma professora, uma apoio e por causa do Garotão, a estagiária. A professora falou que a sala nunca tem lotação total... sempre falta uma criança ou mais... achei interessante.

O projeto dela pra esse ano é sobre sustentabilidade. Amei! E, sou até suspeita pra dizer, já que estudei isso, né? E, as crianças estarão estudando as letrinhas, os números, os bichinhos e os habitats, e a estrutura social em que vivem (complexo? Não, é só uma visão da família... lindo, né?). Até o final do ano a professora espera que eles estejam conhecendo todas as letras do alfabeto, entendendo as quantidades até 5, e escrevendo seu próprio nome. Para ela o maior objetivo: oralidade e registro.

Sabem o que me deixou muito feliz? É que o Garotão já identifica as letrinhas, já conta até 100 (e de 15 a 1, de trás pra frente), e até monta palavras! Vai ser tranquilo, né? Mas, a questão de escrever o nome eu fiquei preocupada, já que o Garotão não gosta muito de lidar com a escrita, nem com lápis, nem com giz, nem com escrever... enfim... acho que essa vai ser uma luta particular.

Então, contei para a professora o que o Garotão faz, o que precisamos pra ele. Contei do interesse dele por linguagem de sinais (LIBRAS), e ela ficou empolgada. Pediu que eu mandasse pra ela o alfabeto em LIBRAS pra ela também trabalhar com as crianças que existem outras formas de se comunicar. E, disse estar disposta a aprender tudo que o Garotão estiver disposto a ensinar. Disse também que está aberta a conversar comigo diariamente, me mostrar tudo que ele fizer para que possamos trocar ideias, aprender, e com isso, o Garotão crescer ainda mais.

Mas, de toda a conversa, uma frase ficou. Algo que me fez derreter em lágrimas ali, naquela salinha, na frente dela. Ela disse bem assim:
“Eu nunca tive um aluno especial. O seu filho é um presente de Deus para mim.”
Pois é... mais que um presente para minha família, o Garotão tem sido um presente de Deus para todos que o cercam... 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A importância da parceria com a escola


E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e ás boas obras, 
Hebreus 10:24
Dias atrás tive um pequeno desentendimento com a pedagoga da escola do meu filho. Acho que não posso dizer que foi um desentendimento. Só que a pedagoga vinha falando coisas que eu não estava gostando... Na verdade, ela só falava uma coisa: o Garotão estava dormindo na sala de aula.

Desde o início do ano ela vinha falando sobre isso. Ela dizia que a medicação o estava deixando sonolento. Eu protestava que não fazia sentido, já que em casa pra ele dormir de tarde é quase uma apoteose! Então, eu dizia que a culpa era da escola que não conseguia mantê-lo com interesse nas atividades. Então pensávamos que quando chegasse a estagiária que daria a atenção especial, ele pararia de dormir em sala de aula.

Finalmente a estagiária chegou e começamos a observar as diferenças: o garotão realmente tinha passado a dormir menos na sala de aula, pelo menos era o que a professora, a estagiária e a apoio relatava que ele tinha diminuído o tempo de sono, mas sempre precisava de uma soneca. Enquanto a equipe da sala comemorava o tempo que ele não dormia, a pedagoga me cobrava o fato dele ainda dormir na sala de aula. Dizia que ele ia pra escola e perdia tempo, até pensou na possibilidade de mudá-lo de turno. Incomodada com tanta cobrança, marquei uma reunião com a professora pra saber exatamente o que andava acontecendo.

Nesse ínterim, o Garotão falou a primeira palavra na escola (cliquei aqui pra ler como foi), mas ainda vigorava a importância de se dormir na escola.
Então, tomei a iniciativa de marcar uma reunião com a professora. A reunião foi boa, porque tanto a professora, como eu compartilhamos muito o que o Garotão anda aprendendo na escola e aprendendo em casa.

A grande surpresa da reunião foi vermos que o Garotão tem aprendido sim na escola, mas mostra tudo em casa. Nem a professora e nem a pedagoga tinham ciência disso. Alem do mais, vimos a diferença que a estagiária tem feito no dia a dia dele na escola. Ela tem sido mais que um apoio, mas tem mantido ele ligado na aula, levado-o a fazer as atividades propostas. Sem contar, que o garotão agora só tira uma soneca de meia hora, e depois, está pronto pra arrasar.

Por mais que pareça chato ficar na escola, perguntando, falando, marcando reunião, faz um bem enorme pra gente e pra equipe da escola esses encontros e o retorno que damos fortalece todos nós.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Primeiro dia de aula: Escolinha Especial


Hoje foi o primeiro dia de aula na escolinha especial. Foi muito interessante. Vou explicar como funciona a Educação Especial aqui em minha cidade.

A prefeitura aqui não oferece educação inclusiva integrada em todas as unidades de ensino. Há escolas regulares e escolas pólos para Educação Especial. Então meu filho tem aulas normais na escola regular e atendimento em contra-turno na escola pólo, que tem um local específico pra trabalhar com a criança. Assim, o ensino se mostra inclusivo, porém com atendimento paralelo.

Por isso, hoje foi o primeiro dia na escolinha especial. Ele já estava na escolinha regular desde 4ª. feira, e hoje começou o atendimento contra-turno. Gostei muito da sala de Educação Especial. Tem muito material, computadores, televisão, DVD... fiquei impressionada. E, gostei muito da professora: muito simpática, atenciosa, e já ‘ganhou’ um beijo do meu filho (ganhou entre aspas, porque o meu filho não dá beijo, ele oferece o rosto para ser beijado). O mais interessante foi ela perguntar qual é a habilidade que o meu filho tem. Conversamos muito até perceber qual a principal facilidade do meu filho. Apesar de saber que o meu filho gosta muito de música, não tinha percebido isso como alta habilidade.

E, para comprovar, fiquei impressionada em como ele manifestou isso na sala. A professora ofereceu um tambor pra ele brincar. Ele ficou batendo ritmadamente. Ficamos cantando várias músicas diferentes, e ele só batendo... Depois, ele começou cantar sozinho “Borboletinha” e batendo o tamborzinho de forma bem ritmada e certinho (a tia dele é quem vai ficar feliz ao saber disso!).

No final, ela disse como deve trabalhar com ele: provavelmente a música será a ponte para descobrir mais habilidades e ensinar aquilo que ele precisa aprender nessa idade.
Estamos felizes com as vitórias do nosso garotão. Temos certeza que esse é apenas o início de um caminho recheados de alegrias e vitórias!

Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. 
1 Coríntios 15:57-58